A presença de 110 policiais da Força Nacional para atuar na pacificação das zonas de conflito entre fazendeiros e os indígenas que reivindicam 17.2 mil hectares distribuídos em 38 propriedades localizadas entre Sidrolândia e Dois Irmãos do Buriti, vai sair caro para ao Ministério da Justiça, em última análise para o contribuinte.
Só com o pagamento de diárias ao efetivo, serão gastos R$ 584,1 mil, valor referente aos primeiros 30 dias de operação. Falta computar as despesas com o combustível das 11 viaturas que estarão sendo usadas no patrulhamento das aldeias e fazendas em conflito. Cada policial recebe R$ 177,00 de diária para atender suas despesas com hospedagem e alimentação, ou R$ 5.310,00 ao longo de um mês.
Se a permanência dos policiais perdurar por seis meses, prazo admitido pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, as despesas com diárias vão somar R$ 3.504.600,00, dinheiro suficiente para comprar 295,05 hectares dos 350 hectares da Fazenda Buriti, palco da reintegração de posse em que morreu no último dia 30 de maio, Oziel Gabriel. O episódio motivou a vinda da Força Nacional para Sidrolândia.
Este desfecho trágico chamou atenção do mundo para a questão e forçou o Governo Federal a trocar a letargia no tratamento da demarcação das terras indígenas, pela promessa de resolver o impasse a curto prazo. Em Sidrolândia os policiais estão instalados no Parque de Exposição, onde montaram acampamento e preparam suas refeições.
A Prefeitura, além de intermediar com o Sindicato Rural a cessão do espaço, cedeu 50 cobertores, 50 colchonetes, utensílios de cozinha, além de um freezer. A Força Nacional foi criada em 2004 no Governo do Presidente Lula. Está baseada em Brasília, com uma tropa de 1.280 homens recrutados nos policiais militares e corpos de bombeiro de todo o País.
Desde que foi criada, cerca de 7,7 mil policiais passaram pelo treinamento para integrar a corporação. Durante duas semanas, eles são submetidos a uma rigorosa rotina de exercícios. O curso é composto por dez disciplinas, entre elas Direitos Humanos, Controle de Distúrbios Civis, Policiamento Ostensivo, Gerenciamento de Crise e Técnicas de Tiro.
Durante o treinamento, os policiais têm que cumprir uma carga horária mínima de 110 horas. Na maior parte do tempo os exercícios acontecem ao ar livre. Os agentes simulam perseguições e abordagens a suspeitos. A idéia do curso é criar um padrão de comportamento que seja seguido por todo o efetivo.
O processo de escolha dos policiais que participam do programa de treinamento é bastante rigoroso. O Ministério da Justiça envia ofício para todas as polícias militares do País, que escolhem entre os voluntários aqueles que mais se destacam. Os candidatos devem ter entre 25 e 40 anos e possuir no mínimo cinco anos de experiência profissional.
Outra exigência é ter disponibilidade para ser convocado pelo período de 90 dias, em data indeterminada, e ter recebido o conceito “muito bom” no teste de aptidão física. Dos 7.676 policiais que compõem a tropa de elite, 582 são mulheres.
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Foto: Marcos Tomé/Região News