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Acampados deixam a Câmara de Dourados após 42 dias

15 agosto 2013 - 05h36 Por Mariana Rodrigues/Informações Dourados News

 Chegou ao fim o acampamento do grupo de estudantes universitários na Câmara de Vereadores de Dourados. Na manhã desta quinta-feira (15), o grupo deixou o local sob escolta de agentes da GM (Guarda Municipal) que acompanharam de perto a retirada de todos os objetos levados pelos estudantes para a sede do Legislativo.

Depois de 42 dias – desde 4 de julho no local -, eles se renderam ao mesmo tema proposto pelo prefeito Murilo Zauith (PSB) e aceito por uma comissão de acadêmicos em junho, durante reunião no CAM (Centro Administrativo Municipal), onde seria criado o Conselho Municipal de Trânsito com a participação de representantes na discussão. O chefe do Executivo também assinou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) se responsabilizando a apresentar em 15 dias um estudo que viabilize a redução de tarifa da passagem urbana.

Porém, durante mais de 40 dias de insistentes, exaustivas e pouco produtivas reuniões, a ocupação trouxe mais prejuízos aos cofres públicos do que solução para a má eficácia do transporte coletivo na cidade. Além de deixarem o espaço usado como ‘casa’ irreconhecível.

Pelos corredores, a sujeira é nítida, assim como as câmeras de monitoramento que tiveram o fio cortado ainda não foram consertadas. De acordo com servidores do local, o odor – devido a falta de limpeza – também é forte. Junto ao caos que se tornou o prédio do Legislativo, ocorrências de dano ao patrimônio público e agressão contra a repórter Thalyta Andrade do jornal Diário MS e Dourados News foram registrados contra os manifestantes.

No dia 24 de julho, a delegada do 2º Distrito Policial de Dourados, Magali Leite Cordeiro Pascoal foi até o local para conferir a denúncia realizada pela Câmara apontando que a mesa do hall de entrada havia sido danificada. Ao constatar o fato, recebeu dos manifestantes a informação de que o ‘culpado’ seria identificado e levado a prestar depoimento na mesma data, o que não aconteceu. Dias depois, apenas alguns membros do grupo foram ouvidos e disseram não conhecer o causador do problema.

Menos de uma semana após o dano causado, uma manifestante identificada como Caroline agrediu a repórter Thalyta Andrade. A jornalista trabalhava na cobertura de uma reunião e teve a folha do bloco de anotações arrancada pela acusada, após ser cercada por quatro mulheres. Momentos antes, a mesma pessoa teria lhe concedido entrevista. O caso também foi registrado no 2º Distrito Policial. A agressora poderá – se condenada – prestar serviço comunitário ou pagar cestas básicas.

Além dos fatores policiais, houve prejuízo nos trabalhos do Legislativo, já que duas Audiências Públicas precisaram ser transferidas e uma sessão cancelada devido ao acampamento montado pelos universitários.

No retorno às atividades, outro incidente foi registrado, desta vez envolvendo o grupo acampado e o vereador Aguilera de Souza (PSDC). Enquanto agradecia o apoio recebido após a morte da filha de 11 anos, uma integrante do movimento o chamou de demagogo e pediu para que cuidasse da população. O ato causou revolta dos assessores do vereador, que foram até onde estavam os estudantes tirar satisfação.

Durante o período, o trabalho dos servidores também sofreu interrupções e eles foram dispensados em duas oportunidades. Na primeira, durante o recesso dos vereadores, o presidente da Casa Idenor Machado (DEM), convocou entrevista afirmando faltar segurança aos trabalhadores no período. Na data, ele também lavou as mãos – após ser negado o pedido de reintegração de posse à procuradoria da Câmara – e disse que o problema deveria ser resolvido pelo Executivo.

Já em 1º de agosto, outro problema fez com que os servidores retornassem para a casa. A utilização de um controle universal para ligar os aparelhos de ar condicionado, causou a queima de um fusível e a queda de energia, segundo relato do próprio presidente. O ato foi o que faltava para os funcionários protocolassem uma ação no MPE (Ministério Público Estadual) quatro dias depois, alegando perturbação. No órgão, eles reclamaram da impossibilidade de trabalhar.

“Somos prejudicados todos os dias em nosso trabalho, não tem como ficar lá. A internet está desligada, a copa não abre mais e para tomarmos café, é necessário trazer de casa. Parte da secretaria não funciona, sem contar provocações a qual muitos já passaram”, comentou na época, a funcionária contratada Luciane Matsushima de Sousa.

A ‘provocação’ fez com que o MP intermediasse a situação que, segundo Machado, já era insustentável e após encontros com o grupo e poderes Executivo e Legislativo, chegou-se a um acordo.

Com a criação do Conselho – com 23 integrantes titulares e 23 suplentes -, os acadêmicos elegerão três representantes para participação das atividades. “Para nós não foi tão vantajoso porque servirá apenas como consulta e não deliberativo. Mas vamos conversar e até o fim da manhã decidiremos”, comentou o estudante Tatus Park um dia depois do Projeto de Lei foi aprovado.

De acordo com o texto aprovado, a função dos conselheiros será avaliar, estudar e opinar sobre o transporte público coletivo, além de propor medidas que viabilizem melhorias no setor, fiscalizar o cumprimento das leis, acompanhar a gestão dos serviços e participar das discussões sobre as políticas tarifárias. Cada membro terá direito a um voto.

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