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Perimetral continua interditada e comitiva segue para reunião

23 julho 2014 - 11h55Por Mariana Anjos / Informações Dourados Agora

Continua o bloqueio de trecho da via perimetral, entre os fundos do Monte Carlo e Aldeia Bororó. Os indígenas exigem a construção de redutor de velocidade, para liberar a rodovia.

Enquanto um grupo se reveza para impedir o tráfego ali, uma comitiva de lideranças indígenas segue neste momento para Campo Grande onde tem reunião marcada para às 11h com o governador André Puccinelli que, anteontem, pediu à Secretaria de Segurança para providenciar o desbloqueio da via.

O presidente do Conselho Indígena, o caiuá Silvano da Silva Duarte, compõe o grupo que vai estar com André logo mais. Ele falou ao Douradosagora, já na estrada, via telefone celular.

O objetivo do encontro na sede do Governo do Estado, é cobrar agilidade na implementação de dispositivos de segurança na via perimetral, também conhecida com anel viário, para evitar novas mortes e garantir a segurança de milhares de pessoas, especialmente da Aldeia Bororó, que transitam pelo trecho. São crianças, idosos, ciclistas, carroceiros, famílias inteiras que costumam passar várias vezes por dia por ali.

Na perimetral, o manifesto se concentra nos fundos do Residencial Monte Carlo, no trecho de acesso à rodovia MS-156 que liga Dourados a Itaporã. A ação começou no domingo, após o atropelamento da indígena Lenilza Nunes, de 42 anos, que sofreu várias paradas cardíacas na UTI e morreu na segunda-feira.

Segundo Silvano, o grupo cobra agilidade na obra dos redutores de velocidade nas quatro entradas da Aldeia Bororó, Reserva Indígena de Dourados. "Eles falam em estudos, não queremos saber, não adianta vir aqui e falar isso, nós temos pressa e não vemos problema algum em ficar aqui o ano todo, afinal isso aqui é nosso, moramos ao lado. Eles sabiam que essa obra ia cortar território indígena, agora estamos morrendo atropelados, queremos providências urgentemente. Prometeram e nada até agora", diz, revoltado, Silvano da Silva Duarte, em entrevista ao Douradosagora.

A perimetral norte inicia no entroncamento da BR-163, de acesso a Fátima do Sul, corta a MS-156 e segue até o entroncamento da rodovia Guaicurus, de acesso à Cidade Universitária e aeroporto. De lá ela segue até a BR-463, de acesso a Ponta Porã e região sul do Estado. São pouco mais de 20 quilômetros de perimetral e parte dela passa por dentro das aldeias Bororó e Jaguapiru, onde não há nenhum tipo de redutor de velocidade.

De acordo com o presidente do Conselho Indígena, desde que a rodovia foi inaugurada, há dois anos, cinco mortes foram registras por atropelamento. Muitas pessoas conseguiram escapar, no entanto, ficaram com sequelas. Lenilza foi a sexta vítima.

O caiuá Valdecir Cabrera perdeu o sobrinho, André, no mês de abril. O rapaz tentava cruzar a rodovia quando foi atingido em cheio por um veículo. "Embora aqui seja considerado perímetro urbano não há nenhum redutor de velocidade e por causa disso os motoristas andam em alta velocidade", conta o indígena. Por se tratar de uma rodovia nova, o asfalto ainda está em perfeitas condições, favorecendo o excesso de velocidade.

A comunidade reivindica redutores de velocidade nas imediações das quatro entradas da Bororó. A aldeia é dividida pela rodovia dos bairros Monte Carlo e Santa Fé. Diariamente, para irem ao centro de Dourados, os indígenas entram por esses bairros nos mais diferentes meios de transportes - a pé, bicicleta, carroça, carro e motocicleta.

Segundo Silvano Duarte, deveria ser colocado lombadas destinadas a pedestres como existem na MS-156, entre Dourados e Itaporã. Essa rodovia passa por dentro da aldeia Jaguapiru, também em Dourados. Depois da instalação desses obstáculos, os veículos passaram a circular em menor velocidade na área próxima à aldeia e o índice de acidente reduziu em quase 100%.

"Aqui na perimetral não existe se quer uma placa que indica área indígena. Os motoristas que vem de outras cidades não sabem que neste local há índios e trafegam em alta velocidade", diz Silvano, chamando a atenção para a sinalização vertical e horizontal na rodovia.

Agesul

O Dourados Agora entrou em contato com a assessoria da Agência Estadual de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), responsável pela rodovia. A assessoria informou que será preciso fazer um estudo para diagnosticar a necessidade de redutores no local para somente depois fazer um projeto e executar obras.

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