No local, foram encontrados dezenas de cartuchos de munição; Há indício de milícia armada
O Ministério Público Federal (MPF) solicitou abertura de inquérito policial após ataque a indígenas acampados às margens de uma estrada vicinal próximo a Iguatemi, região sul de Mato Grosso do Sul. Homens armados teriam chegado ao local no dia 23 de agosto, por volta das 20h, atirando e teriam ordenado para que queimassem barracas, roupas e amarrassem todos os índios da etnia guarani-kaiowá.
Entre os feridos no ataque estão crianças, idosos, jovens e adultos, muitos que não conseguiram correr. O acampamento, em área pública de uma estrada vicinal, foi totalmente queimado, assim como os pertences dos índios e o estoque de comida.
Em vista da insegurança, os indígenas atravessam o rio que os separa do acampamento. São 50 metros entre as margens, dois metros de profundidade e forte correnteza, enfrentada por mulheres, idosos e crianças através de um fio de arame.
O caso é investigado pela Polícia Federal (PF) de Naviraí, a pedido do MPF em Dourados. No local, foram encontrados dezenas de cartuchos de munição calibre 12 (balas de borracha) e há indício de formação de milícia armada.
De acordo com o MPF, o crime é tratado como genocídio, uma vez que a violência foi motivada por questões étnicas contra uma coletividade indígena.
O ataque é mais um capítulo de violência étnica em Mato Grosso do Sul, Estado com a 2ª maior população indígena do país. Cerca de 70 mil índios de diversas etnias aguardam a demarcação das terras tradicionalmente ocupadas por eles, em cumprimento a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelo MPF e a Fundação Nacional do Índio (Funai) em 2007 e até hoje não cumprido.
Os índios guarani-kaiowá reivindicam a área que eles chamam de ‘Puelito Kue’, que já foi estudada pelos antropólogos da Fundação Nacional do Índio (Funai). O relatório, cuja publicação é uma das fases da demarcação de terras indígenas, está em fase final de redação.
Conforme o site do MPE, os indígenas que sofreram o ataque acabaram voltando para o acampamento por não ter para onde ir.
Karla Lyara
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