A direção do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MS) exonerou hoje (8) a chefe da Ciretran de Sidrolândia, Ana Paula Ferreira de Oliveira.
A funcionária foi presa no último dia 24 de outubro, dentro da Operação Holambra desenvolvida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) para desmantelar uma quadrilha que contrabandeava produtos do Paraguai com a convivência de policias militares que cobravam propina para liberar a passagem das cargas pela MS-060.
Ana Paula ficou presa apenas por dois dias e foi liberada, pois aceitou colaborar com as investigações. Ela revelou aos promotores o que sabia sobre o esquema de corrupção na cidade envolvendo policiais e contrabandistas.
Em depoimento admitiu que chegou a receber R$ 500,00 como “gratificação’” por ter liberado uma caminhonete Blazer retida na Ciretran. Ela garante que devolveu o dinheiro ao constatar que não havia base legal para manter a caminhonete apreendida.
A propina teria sido paga pelo cabo Vanilson Nogueira da Costa. Conforme a denuncia do GAECO, o cabo é um dos oito policiais militares que atuavam na cidade, implicados no esquema de corrupção para facilitação do contrabando.
O intermediário da negociação, que também foi preso na operação, foi o guarda da Ciretran, Reginaldo de Oliveira Antunes, o Bugão. Ele fazia a ponte entre policiais corruptos e os contrabandistas. Encarregava-se de negociar o valor e de receber a propina. Também usava da sua condição de vigia da Ciretran e do relacionamento que tinha com a diretora da repartição para garantir a liberação de veículos pertencentes a integrantes do esquema retidos por problemas de documentação.
Em uma das gravações, ele pede a regularização de um carro comprado num leilão em São Paulo, que seria de uma pessoa que identificada apenas pelo primeiro nome, Jedilson.
Ana Paula admitiu que viajou para o Paraguai, em companhia de um primo, onde comprou quatro pneus novos para o carro. Na ocasião teria ligado para o policial Fábio Wolffmeis (apontado como participante do esquema e que atua na Polícia Rodoviária Estadual) informando da sua viagem. Fábio teria tranquilizado porque justamente naquele dia estaria de plantão na barreira. Ana Paula, não teve problemas ao passar pela fiscalização no seu retorno a Sidrolândia.
Com base nas gravações de ligações telefônicas dos suspeitos de participação no esquema (grampeadas com autorização judicial), o Ministério Público acusou Ana Paula de uma série de crimes, como tráfico de drogas, contrabando e corrupção.
O juiz Aldo Ferreira da Silva Júnior decretou sua prisão temporária por 30 dias. O próprio magistrado revogou a decisão e com isto a funcionária do Detran foi colocada em liberdade no último dia 26 de outubro.
Helton Verão/Com infomações do Região News
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foto: Região News