Um grupo de estudantes do Ensino Médio do interior de Mato Grosso do Sul teve um Carnaval diferente neste ano, porém, com resultado de vitória. Eles trocaram a festa, bebida, fantasias, música e a farra dos cinco dias de folia, por cartazes, rostos pintados, e protestos. Enquanto muitos alunos relutam em ir assistir as aulas, os jovens entraram no colégio e ocuparam o espaço no feriado, para clamar ao poder público contra a municipalização da escola.
A escola Professor Luiz Carlos Sampaio fica no distrito de Nova Casa Verde, no município de Nova Andradina, que fica a cerca de 300 quilômetros de Campo Grande. Após os seis dias de protesto, de pais, alunos e professores, a Secretaria Estadual de Educação (SED) garantiu que a escola vai permanecer sob responsabilidade da administração estadual, conforme o apelo dos estudantes.
Conforme vídeos publicados no You Tube com depoimentos de moradores do distrito, a comunidade de Nova Casa Verde luta para conseguir serviços públicos básicos, como de saúde e asfalto. A escola foi inaugurada em março do ano passado, e sua construção já foi considerada uma vitória para a população daquela região.
Com a municipalização da escola, os alunos da comunidade teriam que sair do distrito para continuar os estudos, pois não seria mais oferecido o Ensino Médio no local, apenas o Ensino Fundamental. A ocupação da escola e os protestos foram realizados por alunos do Ensino Médio.
Em um dos vídeos do protesto, pais, professores e integrantes da comunidade, estavam reunidos em uma sala, onde um deles disse que “se fosse inauguração da escola, aqui estava cheio de autoridade, todo mundo aqui em nova Andradina. Quando é pra pedir voto vem todo mundo pra Casa Verde”.
Os alunos colocaram o nome do movimento, que começou na sexta-feira (17), de “Bandeira Azul”, e com os rostos pintados da cor do uniforme das escolas estaduais, pediam uma resposta do poder público.
Decisão
A secretária estadual de Educação, Maria Nilene Badeca da Costa afirmou nesta quarta-feira (22), em reunião com a diretora Gandolfo, que a municipalização da escola foi descartada. A informação é, ainda, de que a parceria entre a rede municipal de educação e a estadual deve ser mantida, pois é "injusto o Estado ter salas de aula sobrando enquanto o município passa por dificuldades".
A medida de municipalização teria começado quando o acordo entre as duas redes seria desfeito. A parceria garante que a unidade escolar comporte estudantes do ensino médio matriculados pela rede estadual e empreste salas que “sobram” aos estudantes do ensino fundamental, matriculados então pela rede municipal.
Diante da solução, o retorno às aulas na Escola Estadual Luiz Carlos Sampaio ocorre normalmente, no entanto, nesta segunda-feira (27), as secretarias municipal e estadual de educação devem retomar negociações sobre a parceria.
Ana Maria Assis
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Movimento contra municipalização de escola