Com suor no rosto e caminhando apressadamente, Walkíria Aparecida Benites, 36 anos, cumpre a rotina diária de varrer as ruas de Campo Grande. Sobe ladeiras, corre atrás da embalagem plástica que foi deixada para trás e puxa o carrinho para carregar o lixo. Mesmo com a atividade exaustiva, ela não perde o ânimo para os estudos, foi em busca de seu sonho e agora protagoniza uma história de superação e exemplo. A gari, de família humilde foi aprovada no vestibular para o curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD)
Depois de concluir o Ensino Médio, Walkíria ficou 12 anos sem estudar. Em 2010, procurou o Instituto Luther King, onde começou a fazer gratuitamente o cursinho preparatório para o vestibular. “Terminava o trabalho lá pelas 3 da tarde. Ia para casa e depois seguia para a aula. Muitas vezes estava cansada, mas tive 100% de frequência nos dois anos de curso”. Ao término do primeiro ano de aulas, ela não conseguiu ser aprovada em universidades públicas. Não desistiu. Estudou mais um ano e agora foi aprovada no vestibular da UFGD em primeira chamada, ficando em 26º lugar no curso na concorrência geral. E não pretende parar mais. “Quero fazer mestrado, doutorado e continuar estudando sempre, porque sei que desta forma conseguirei transformar minha vida”.
Ontem foi o último dia de trabalho de Walkíria em uma empresa terceirizada que presta serviços de limpeza para a prefeitura. Mesmo assim, ela mal parou para conceder a entrevista, pois sabia que precisava mais uma vez cumprir o dever de percorrer aproximadamente 40 quadras para varrer ruas, acompanhada apenas de uma colega de trabalho. A reportagem acompanhou a correria exaustiva da gari, que começará uma nova fase na vida nos próximos dias.
Trajetória
Walkíria mora no Bairro Estrela do Sul com a mãe, a irmã e dois sobrinhos. Sempre estudou em colégio público, nunca reprovou e desde a adolescência concilia estudo e trabalho. “Antes trabalhava como diarista e babá, mas não tinha carteira assinada”. Há sete meses, arrumou emprego como gari e, inicialmente ganhava R$ 570 mensais. Neste ano, os profissionais passaram a receber insalubridade e a remuneração subiu para R$ 750. Ela conta que inicialmente trabalhava em bairros em que precisava até carpir o mato da calçada das ruas e sentia muita dificuldade. “Não é um trabalho fácil, é muito cansativo, mas queria um emprego com carteira assinada e algo fixo”. Parte da renda de Walkíria sempre foi destinada a ajudar a mãe, que faz tratamento contra o câncer. “Quero ver se consigo levá-la ainda para Dourados, e o dinheiro que sobrar lá vou mandar para ajudá-la”.
Ana Maria Assis/Fonte: Dourados News
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