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Interior

CPI da Saúde aponta desvios de aproximadamente R$ 700 mil

16 agosto 2012 - 12h27 Por Mariana Rodrigues/Nova News

 Na manhã de hoje (16) uma empresa contratada pela Câmara Municipal de Nova Andradina para auditar as finanças da Secretaria de Saúde entre janeiro de 2009 e julho de 2011, realizou a entrega do relatório final à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura suposto esquema de desvio de verbas das contas públicas.

O documento contem todos os levantamentos obtidos pela empresa e foi entregue ao presidente da CPI, vereador Glauco Lourenço, que deverá se reunir com os demais membros da comissão para analisar o que foi apurado pela Sigma (empresa responsável pela auditoria) e desta forma, concluir os trabalhos propostos.

 Segundo o representante da empresa, o economista Whyldson Luiz Correia Souza Mendes, o valor total desviado chega a quase R$ 700 mil. "A média de desvio a cada ano ficou em torno de R$ 220 mil, o que totaliza aproximadamente R$ 700 mil retirados dos cofres públicos entre 2009 e 2011", afirma.

Ainda segundo o economista, o modus operandi dos desvios foi sempre o mesmo durante todo o período. "A maneira como os desvios ocorriam foi sempre a mesma. Era simulado um pagamento em cheque e este cheque era compensado junto ao banco", explica Mendes ao afirmar que sugeriu à CPI que solicite à agência bancária o levantamento de quantos cheques foram utilizados no esquema. "Apenas o banco poderá informar quantas lâminas foram compensadas ao todo, mas posso afirmar seguramente que foram bem mais de 150 cheques", revela.

O representante da empresa afirmou que a grande maioria dos cheques utilizados nos desvios era de menos de R$ 5 mil, o que nas palavras dele, mostra o cuidado que os autores tiveram para não chamar atenção dos responsáveis pela agência bancária. "Sabemos que no caso de cheques acima de R$ 5 mil, o banco é obrigado a realizar um monitoramento maior, porém quando os valores estão abaixo disso, eles não chamam tanto a atenção", explica ele, ao afirmar que em todo o período, apenas um cheque ultrapassou esse valor.

Durante as auditorias da Sigma, a empresa apurou também que foram gerados vários cheques em um único dia. "Como o valor de cada cheque era baixo, os autores geravam várias lâminas em um mesmo dia e assim, movimentavam grandes quantias sem chamar atenção", diz Whyldson Luiz.

Envolvidos

A única pessoa com envolvimento comprovado no caso é o acusado confesso Reginaldo Cavalcante, porém seria quase impossível apenas uma pessoa operar todo o esquema, devido à sua complexidade e organização. 

"Nosso levantamento foi feito com base em documentos e não de forma criminal, porém é difícil acreditar que apenas uma pessoa operava o sistema. A menos que esta pessoa fosse especialista neste tipo de operação, um servidor com qualidades excepcionais com relação aos demais funcionários da pasta. Não temos provas, mas suspeitamos do envolvimento de mais nomes no caso. Nossa missão foi provar que houve o desvio e averiguar de que forma ele ocorreu, agora caberá ao Ministério Público identificar os autores", conclui Whyldson Luiz.

A CPI deverá realizar oitivas com todos os envolvidos no decorrer do processo para tentar obter indícios sobre possíveis participantes do esquema. Entre as pessoas que deverão ser ouvidas estão gestores e responsáveis pelo setor de finanças do Fundo Municipal de Saúde no período em que ocorreram os desvios.

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