Na área central de Corumbá, a força da água da chuva que caiu na noite de quarta-feira (09), foi tão intensa que abriu um buraco no asfalto no momento em que um ônibus da empresa de transporte coletivo passava pela rua Firmo de Matos, entre as ruas Colombo e América. O veículo ficou com a roda dianteira esquerda dentro do buraco e, apesar de seu tamanho, não teve propulsão para sair do buraco, tendo que ser guinchado por uma escavadeira.
Segundo informações de uma equipe da Polícia Militar, que providenciou o isolamento da área, pois o rompimento do asfalto também atingiu outros pontos da via, o incidente não feriu passageiros que seguiam no ônibus que fazia a linha 2118-Nova Corumbá.
Os problemas na região não ficaram somente na rua, casas também foram atingidas pela grande vazão da água da chuva que alcançou índice de 82,6 milímetros no período de seis horas, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.
Um dos imóveis mais atingidos foi o da empresária Hannan Mustafá. A água invadiu vários cômodos, tanto pelo volume que escoava pela rua como por aquele vindo pelos ralos da casa. Ela conta que uma tampa de concreto chegou a ser levantada pela água que jorrava do encanamento.
Tivemos que colocar um vaso também de concreto em cima dela e mesmo assim, a peça ainda se movimentava", disse a empresária, que, juntamente com o filho, teve que realizar uma verdadeira "luta", contra a chuva para impedir que mais água entrasse na casa. A única arma dos dois foram os rodos.
"Meus móveis da cozinha estragaram todos, meus armários, minhas mesas, todos meus móveis da sala. Estou reformando o quarto da minha filha, coloquei armário novo e entrou água nos móveis dela", disse ao afirmar que, em ocasiões anteriores, perdeu também aparelhos eletrônicos como computador.
"Imagina se a chuva continuasse a noite inteira? Eu não ia dormir. Dia inteiro a gente trabalha e ainda chega em casa e tem que ficar trabalhando até meia-noite pra ver a casa limpa? Porque ninguém vai dormir com cheiro de esgoto na casa", falou.
Hannan disse ao Diário que mora no mesmo endereço há 18 anos, mas há cerca de um ano e meio vem passando por problemas no período de chuvas. Ela relata que, com a inundação da última noite, é a quarta vez que vê sua residência invadida pelas águas.
"Foi de um ano, um ano e meio pra cá quando abriram a rua aqui para fazer obras, inclusive os trabalhos ficaram parados durante 6 meses e ainda por cima não fizeram nada adequado porque se tivessem feito coisa certa não teria inundado minha casa", desabafou a empresária ao Diário.
"Já chamei a Sanesul, a Prefeitura e ficam uma jogando a responsabilidade para outra sem ninguém tomar atitude. Há uns dias teve chuva e minha casa foi outra vez inundada, tenho registros com fotos e vídeos. Meu filho foi na Prefeitura e falaram que iam arrumar e nada", explicou ao cobrar dos órgãos algum tipo de atitude que solucione o problema.
A reportagem do Diário entrou em contato com o secretário municipal de Infraestrutura, Habitação e Serviços Urbanos, Luiz Mário Preza Romão, que afirmou que, antes de qualquer medida adotada, será feito um trabalho de escavação para ver qual o real motivo do problema.
Segundo ele, no local, é sabido que há uma adutora construída pela empresa de abastecimento de água, a Sanesul, dentro das obras de esgotamento sanitário, além de um sistema de escoamento de águas pluviais, por isso apenas com a abertura do trecho é que poderá ser dado um diagnóstico e a possível solução.
Por enquanto, ele pede a colaboração da população, lembrando que o trecho da rua Firmo de Matos entre as ruas Colombo e América continuará interditado. "Que as pessoas evitem esse trajeto até a conclusão dos trabalhos, que não devem acontecer a curto prazo", salientou.
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