A Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) recebeu denúncia informando que no final da tarde de ontem, a Fazenda Querência São José, no município de Sidrolândia foi invadida por cerca de 80 índios terenas da Aldeia Buriti.
Segundo a denúncia a proprietária Lourdes Bacha, de 81 anos, foi impedida de entrar na propriedade, sendo que 4 funcionários da fazenda em que parte é arrendada estão sendo mantidos reféns no local. O clima é tenso e pode haver conflito entre os índios que estariam fortemente armados e outros proprietários que estão no local em solidariedade à produtora rural.
A Funai (Fundação Nacional do Índio) acompanhou agentes da Polícia Federal que foram encaminhados ao local nesta quinta-feira (07).
Esta é a 14ª propriedade invadida atualmente entre os municípios de Dois Irmãos do Buriti e Sidrolândia, área que os índios Terenas pleiteiam para ampliar a reserva localizada na região. Nas duas invasões anteriores dona Maria Lourdes obteve ganho de causa na Justiça. A intenção dos Terenas é ampliar a aldeia Buriti de 2.090 hectares para 17 mil hectares, o que contraria diretriz fixada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), elaborada a partir do caso Raposa Serra do Sol, vedando a ampliação de aldeias já demarcadas.
A aldeia Buriti sofre investigações da Polícia Federal desde 2011, quando por meio de denúncias seis líderes indígenas foram presos e apreendidas sete armas - sendo quatro revolveres, calibres 38 e 22, e três espingardas. Em novembro do ano passado a denúncia registrada pela PF, partiu do terena Rubson Ferreira de Oliveira, que entregou à PF um áudio em que supostos integrantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) incentivam o armamento e as invasões, sob ameaças aos que não aderirem ao formato de invasão imposto de perder benefícios assistenciais.
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