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Interior

Polícia questiona versão de fazendeiro sobre morte de indígena

27 fevereiro 2013 - 12h21 Por Ana Paula Duarte/ Com informações Caarapó News

Levantamento de dados da Perícia Técnica da Polícia Civil foi entregue à delegada responsável por inquérito, Magali Leite Cordeiro, ontem pela manhã. Com base nas informações, a polícia agora quer esclarecer alguns pontos. O principal deles é sobre a alegação do fazendeiro Orlandino Carneiro Gonçalves, 61, que confessou ter matado o indígena Denílson Barbosa, de 15 anos, de ter agido sozinho. Todos os envolvidos no caso serão ouvidos em um novo depoimento. As possibilidades de uma reconstituição do crime, e também de um pedido de prisão do fazendeiro, não estão descartadas.

Segundo o delegado regional da Polícia Civil, Antônio Carlos Videira, as informações técnicas questionam a versão apresentada pelo fazendeiro. “O laudo aponta que é preciso esclarecer como ele conseguiu sozinho colocar a vítima na carriola, e carrega-la até a caminhonete”, disse o delegado, ressaltando ainda as dúvidas com relação a versão do fazendeiro de ter tentado socorrer o indígena, também sozinho.

“Ele alega que seguia para socorrer a vítima e parou ao se sentir ameaçado após avistar um grupo que pensou ser de indígenas, e resolveu deixar o menor na beira da estrada. Mas o intervalo de tempo nisso tudo é questionável, porque era noite, e para enxergar o grupo que ele alega ter visto, ele teria apenas a luz do farol da caminhonete como referência, o que faz com que proximidade desses indígenas fosse curta demais para que desse tempo dele parar o carro, deixar o menor na estrada, e fugir. Isso também questiona uma ação solitária”, aponta Videira.

Ontem a delegada responsável pelo caso, Magali Leite Cordeiro, passou o dia em Caarapó em diligências que devem durar pelo menos até o fim de semana. A esposa e o filho de Orlandino serão ouvidos, assim como indígenas relacionados ao caso. A versão do primo de Denílson, de 17 anos, e do irmão dele de 11 – que teriam testemunhado o assassinato - também será contestada, já que eles alegam terem visto a ação de mais de uma pessoa, e terem ouvido mais de um disparo.

“Denílson foi morto com um tiro, que não foi disparado. Todos vão prestar um novo depoimento para mais esclarecimentos com base no que foi apontado pela perícia”, disse, completando que a arma utilizada pelo fazendeiro – uma espingarda calibre 22 – teria capacidade de fazer um disparo de longa distância, como alega Orlandino. “É possível ele de ter atirado da sede em direção ao açude. No entanto, é preciso observar o fato do menor ter sido atingido a noite, a metros de distância, em um disparo certeiro, que poderia ser apontado como de extrema sorte. Mas tudo será investigado”.

Segundo uma fonte ligada ao Clube de Caça, Tiro e Pesca de Dourados que tem experiência com espingarda calibre 22, o disparo nas condições alegadas por Orlandino ter acertado a vítima seria difícil. “Somente considerando a distância alegada pelo atirador, e a pouca visibilidade, seria realmente um acerto improvável”.

Conforme informação passada a reportagem, os dois indígenas – primo de 17 e irmão de 11 anos - que teriam presenciado o assassinato de Denílson Barbosa, e escapado do suposto ataque, teriam sido inclusos no Sistema Nacional de Proteção à Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, programa da Subsecretaria de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH) do governo federal.

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