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Interior

MTE tirou 38 crianças e adolescentes do trabalho em Dourados

31 maio 2013 - 06h32 Por Mariana Anjos / Com Informações Dourados News

Balanço divulgado pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) aponta que em 2012 foram afastadas 38 crianças e adolescentes do trabalho no setor formal em Dourados. Segundo o órgão, 24 deles tinham entre 10 e 15 anos e 14 com idade de 16 e 17 anos.

De acordo com chefe do setor de inspeção do trabalho do MTE no município, Alzenir de Jesus Caetano, os dados revelam que os fiscais encontram na realidade. “Adolescentes normalmente são encontrados em borracharias, canteiros de obras, lava rápidos e outros comércios da periferia. Na verdade, eles podem trabalhar, mas não pode ser trabalho insalubre ou perigoso, que é o que acontece em muitos casos”, disse.

Na última terça-feira (28) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou indicadores do trabalho infantil no Brasil. No Mato Grosso do Sul são 176.354 crianças na faixa etária e 8.208 estavam trabalhando em 2010.

Em relação ao trabalho de adolescentes os dados são mais agravantes, pois o MS está na segunda pior proporção do país em relação a não frequência escolar de adolescentes de 16 e 17 anos e também são 7º maior percentual em trabalho no país (de 91.784, 29.394 já estavam trabalhando).

No Censo 2010 foi constatado que 23.580 jovens de 16 e 17 anos não frequentavam a escola, representando 25,6% do total de adolescentes da faixa etária. O estudo também apontou que a maioria desses jovens que não frequentavam a escola era por estar trabalhando. É o 4º maior percentual do país, 33,1%.

O IBGE também divulgou que o ramo de atividades em que os adolescentes mais são encontrados são: 1º comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (7.786); 2º agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (4.621); 3º outras atividades (16.987).

Em Dourados, dois auditores são responsáveis pela fiscalização do trabalho infantil e quando encontram algum caso o empregador é autuado. O menor é direcionado para programas sociais em que será reinserido e poderá estudar e trabalhar, “a dificuldade é que nesses programas o adolescente vai ganhar pouco, então eles falam que precisam ganhar mais para ajudar a sustentar a família”, explica Alzenir.

O resultado, segundo a servidora, é que o trabalho precoce gera a evasão escolar, “o trabalho pesado durante o dia deixa o adolescente cansado e se ele for para a escola vai acabar dormindo. Então é um ciclo vicioso quem trabalha, não estuda e não consegue se profissionalizar para ganhar mais e acaba sempre ganhando pouco. E isso, normalmente, aconteceu também com seus pais e acaba se repetindo com o adolescente”.

Neste ano ainda não foi feita nenhuma notificação, pois Alzenir acredita que o problema do trabalho infantil é quase invisível para a sociedade, “muitos acham que é melhor estar trabalhando do que na rua, mas o melhor é estar estudando do que trabalhando. Pois se não entra no ciclo vicioso e a pessoa acaba parando de estudar”.

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