O tiro que matou o índio Oziel Gabriel Alves, 35, um mês atrás, na operação que cumpria mandado de reintegração de posse, na fazenda Buriti, em Sidrolândia, teria sido disparado por um policial federal.
A hipótese é reforçada em quase todos os depoimentos de ao menos duas dezenas de índios que estavam dentro da fazenda quando policiais militares e federais cercaram a área e determinaram a saída dos terena.
Os índios enfrentaram o propósito dos policiais, que reagiram, segundo os militares, com munições de borracha e bombas de lacrimogênio. Um dos defensores da versão que aponta algum policial federal como o atirador, é Otoniel Terena, 32, irmão de Oziel, que levou um tiro na barriga, foi socorrido por vizinhos e morreu assim entrou no hospital de Sidrolândia.
“Eu estava ao lado dele e, a nossa frente, havia um grupo de policiais federais. A gente suspeita desse grupo. Já eu tenho plena convicção que foram os policiais federais que atiraram”, disse Otoniel, líder da comunidade terena, composta por cerca de 4,5 mil índios.
Em entrevista ao Região News, no último dia 18 de junho, quando estiveram em Sidrolândia, para colher os depoimentos de testemunhas, policiais que estão trabalhando no inquérito sobre a morte do terena Oziel Gabriel mostraram pessimistas sobre as chances de se chegar ao autor do disparo que matou o indígena.
Segundo o delegado Dantas Lemos, como não foi encontrada a bala, porque o projétil transpassou o corpo da vítima, fica praticamente impossível identificar o calibre e a partir daí chegar à arma de onde foi deflagrada. Além do laudo feito em Sidrolândia, pelo legista Wolnei Pereira, haverá também o elaborado por um perito vindo de Brasília para fazer a segunda necropsia.
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Foto: Marcos Tomé/Região News