Pegos de surpresa, caminhoneiros reclamavam do bloqueio, dizendo que, como não tinham mais como fazer o retorno e pegar rotas alternativas, terão de ficar até o fim da tarde na rodovia. “Fazer o que né? Com prestação de caminhão vencendo e atrasando a entrega”, reclamou um dos motoristas.
Já os condutores de carros de passeio se desdobravam para conseguir retornar e fazer o desvio para seguir viagem, assim como os demais caminhoneiros que iam chegando ao acesso da rodovia, percebiam a fila, e davam a volta.
Até o momento em que a reportagem do Dourados News esteve no local, nenhuma viatura da PRE (Polícia Rodoviária Estadual) esteve na rodovia para auxiliar os motoristas.
Na semana passada, a rodovia também foi fechada por mais de uma vez. Nesta semana, segundo os manifestantes, o protesto acontece também em outras comunidades indígenas da região Sul do Estado.
A estimativa é de que amanhã o protesto também aconteça, e que se mantenha por tempo indeterminado caso uma reunião que está marcada em Brasília entre lideranças do Estado e representantes do governo federal não dê ‘resultados’ dentro do que a comunidade indígena reivindica.
Reivindicações
No começo da mobilização há algumas semanas atrás, as reivindicações giravam em torno da quitação de salários atrasados dos servidores que prestam serviço à Sesai, que são contratados pela Missão Evangélica Caiuás, e também com relação à infraestrutura precária na qual estão os postos de saúde dentro das comunidades indígenas de Dourados, e do Estado.
De acordo com os servidores, o salário foi quitado na semana passada, mas a mobilização segue por conta das condições precárias de atendimento. Enfermeiro que presta serviço à Sesai dentro da aldeia Jaguapiru há quase seis anos, Alex Souza da Silva, 36, que é também morador da aldeia, definiu a situação como “insustentável”.
“Não tem como continuar do jeito que está, há anos reclamamos por melhorias e nada acontece. Os postos estão sucateados e sem remédios e outros insumos. Não queremos apenas salário em dia, também é uma obrigação condições dignas de atendimento. Hoje a população indígena está sofrendo ao buscar atendimento, e nós ficamos sem ter o que fazer. É humilhante para os dois lados”, relatou Silva.
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Foto: Ademir Almeida - Dourados News