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Corumbá completa 237 anos com crescimento, mas números também preocupam quem vive na cidade

21 setembro 2015 - 09h36 Por Diário Corumbaense

“As coisas que acontecem aqui, acontecem paradas. Acontecem porque não foram movidas. Ou então, melhor dizendo: desacontecem.” Esse trecho do poema de Manoel de Barros resume o momento econômico que vive Corumbá, que completa 237 anos de fundação nesta segunda-feira, 21 de setembro.  Economicamente a cidade passa por um período complicado, como todo país.

Houve crescimento muito pequeno no número de trabalhadores com carteira assinada. De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego em dezembro 2014, o município registrou elevação de 0,86% em comparação com o mesmo período de 2013. Seis setores econômicos – entre oito pesquisados – tiveram desempenho negativo. Ou seja, houve mais demissões que contratações.

No primeiro semestre de 2015, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), saldo de manutenção de postos formais foi pequeno em Corumbá. Foram mantidas somente seis vagas. O total de contratações com carteira assinada contabilizou 2.847 pessoas enquanto que as demissões, no período, atingiram 2.841 trabalhadores até junho deste ano.

Pode-se, contudo, pintar um cenário mais favorável quando se coloca diante da tela de um computador – ou num papel jornal a sua frente – as estatísticas colhidas pelo Atlas do Desenvolvimento Humano Brasil 2013, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Analisando estes números, pode-se dizer que o quadro é animador. Embora, os dados do Ministério do Trabalho expressos nos parágrafos acima também sejam simplesmente números.

Mas, vamos para o cenário que nos favorece nestes 237 anos. Segundo o Atlas de 2013, mas que traz dados coletados em 2010, Corumbá ostenta crescimento de quase 20% no Índice do Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) num período de dez anos. De acordo com os números do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Corumbá tem IDHM de 0,700. A cidade saiu do quadro considerado de baixa qualidade para município situado na faixa de Desenvolvimento Humano Alto. O Índice em 1991 era de 0,509 (Baixo); em 2000 passou para 0,584 (Baixo) e em 2010, chegou a Alto (0,700). O maior município da região do Pantanal de Mato Grosso do Sul está a um degrau da faixa de desenvolvimento humano Muito Alto (0,800 - 1,000).

Corumbá teve um incremento no seu IDHM de 37,52% nas últimas duas décadas. O município ocupa a 1.904ª posição em relação às 5.565 cidades do Brasil. Em relação aos 78 outros municípios de Mato Grosso do Sul, Corumbá ocupa a 26ª posição no ranking do IDHM.

A Educação foi o indicador que mais evoluiu. Em dez anos, teve crescimento de 0,188 e saltou de 0,398 em 2000 para 0,586 em 2010. Os indicadores do Atlas do Desenvolvimento Humano Brasil 2013 mostram que de 2000 a 2010, cresceu em 65,91% a proporção de crianças de 5 a 6 anos na escola. Também aumentou o número de crianças de 11 a 13 anos frequentando os anos finais do Ensino Fundamental. A taxa de analfabetismo da população de 18 anos ou mais diminuiu 7,08% nas últimas duas décadas.

O IDHM ainda leva em consideração os chamados "anos esperados de estudo". Esse quesito indica o número de anos que a criança que inicia a vida escolar no ano de referência tende a completar. Em 2010, Corumbá tinha 9,99 anos esperados de estudo; em 2.000 tinha 8,46 anos e em 1.991 8,54 anos.

Houve redução de 18% nas taxas de mortalidade infantil (crianças com menos de um ano) em Corumbá. O índice caiu de 21,9 por mil nascidos vivos em 2.000 para 17,8 por mil nascidos vivos em 2.010. O município atingiu marca abaixo da que a Organização das Nações Unidas (ONU) estipula para alcance do Brasil em 2.015, que deve estar abaixo de 17,9 óbitos por mil a partir daquele ano.

A taxa de mortalidade até 1 ano de idade, segundo as estatísticas, era de 31,4 por mil nascidos vivos em 1991 e em 2.010 reduziu para 17,8. Até cinco anos de idade a redução aconteceu da seguinte forma: 36,9 em 1.991; 25,7 em 2.000 e 21,2 em 2.010. Houve redução também na taxa de fecundidade nestas duas décadas. Em 1.991 era de 4,1 filhos por mulher; passando para 3,3 em 2.000 e 2,6 filhos em 2.010.

Por outro lado, a esperança de vida ao nascer aumentou 7,4 anos nas últimas duas décadas em Corumbá. De acordo com dados da dimensão Longevidade do IDHM, a expectativa de vida passou de 67,7 anos em 1.991 para 75,1 anos em 2.010. No Mato Grosso do Sul, a esperança média de vida ao nascer é de 75,0 anos. No país, de 73,9 anos.

A renda mensal per capita média cresceu 75,88% nas últimas duas décadas, passando de R$ 356,56 em 1.991 para R$ 627,10 em 2.010. Mesmo com o crescimento, a renda de pouco mais de R$ 627 é inferior ao valor do salário mínimo que é de R$ 788. A extrema pobreza (medida pela proporção de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a R$ 70) passou de 16,57% em 1.991 para 12,58% em 2.000 e para 4,34% em 2.010.

Ata de fundação

A ata de fundação de Corumbá foi lavrada em 21 setembro de 1778, com a denominação de Albuquerque. Foi elevada a distrito pela Lei nº 04, de 19 de abril de 1838 e a município pela Lei nº 712, de 05 de julho de 1850.

Corumbá em Números

População estimada 2015 - 108.656 pessoas

População Censo 2010 - 103.703 pessoas

Densidade demográfica - 1,60 hab/km²

Área territorial - 64.961 km²

Ensino fundamental (2012) - 19.647 matrículas

Ensino médio (2012) - 4.099 matrículas

Automóvel (2014) - 17.236

Caminhão (2014) - 891

Motocicleta (2014) - 9.673

Ônibus (2014) - 236 

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