Importante para a natureza, para os animais e para o ser humano. A água é o elemento que garante a vida. Conforme a Declaração Universal dos Direitos da Água, o equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Mas muita gente se esquece disso, por isso, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu, em 1992, o dia 22 de março, hoje, como o Dia Mundial da Água.
Em Mato Grosso do Sul, o governador André Puccinelli lança o Cadastro Estadual de Usuários de Recursos Hídricos (Ceurh). O decreto de criação do cadastro foi assinado nesta manhã, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo.
O Ceurh é um banco de dados para registro obrigatório de pessoas físicas e jurídicas de direito público ou privado usuárias de recursos hídricos, que terá informações sobre a vazão utilizada, local de captação, denominação e localização do curso d’água.
Os usuários de água diretamente de poços artesianos, rios e riachos e quem fizer lançamento de qualquer tipo de esgoto diretamente no curso d água devem fazer o cadastro. A medida é o ponto de partida para a garantia da oferta de água, para a geração atual e as futuras.
Escassez
Mato Grosso do Sul é rico em quantidade de reservas hídricas. Está entre os estados que abrange o Aquífero Guarani, uma das principais reservas subterrâneas de água doce do mundo.
No Estado, existem ainda duas importantes bacias hidrográficas: a Bacia do Rio Paraguai, na região Oeste e a Bacia do Rio Paraná, no sudeste. Apesar desse grande volume de água disponível, existe o risco de escassez de água nos próximos anos devido a poluição e o assoreamento de muitos rios que cortam o estado.
Um dos exemplos é o Rio Taquari que há décadas sofre com o assoreamento provocado pelo desmatamento na região. Uma fonte de água e de vida que, assim como muitas outras, foi prejudicada pela falta de conservação.
O grande problema apontado por especialistas não é que a água irá acabar, mas sim que os recursos para transformá-la em água potável, ou seja, própria para o consumo humano, podem ficar cada vez mais caros.
De acordo com o presidente da empresa de saneamento Sanesul, José Carlos Barbosa, de 2007 até 2011, foram gastos 435 milhões de reais para o tratamento, a captação e a distribuição de água e da rede de esgoto. “Até 2012, a previsão é que haja esse investimento chegue a R$ 1 milhão de reais”, conta.
Barbosa ressalta que com essa grande oferta de água no Estado é preciso se preocupar com a preservação e isso exige a ampliação do número de residências com o tratamento da rede de esgoto. “Menos de 50% das casas em todo o país tem rede de tratamento de esgoto. Essa realidade precisa mudar. O esgoto não tratado pode poluir os mananciais prejudicando a natureza”, explica. De 2007 até hoje, 53 poços foram perfurados nos 68 municípios de atuação da empresa de saneamento.
Desperdício
Nos últimos anos, o índice de desperdício de água em Campo Grande reduziu. De acordo com o Sistema Nacional de Informações de Saneamento, mais de 22% da água tratada é desperdiçada pela população na Capital. Há seis anos, esse índice era de 56%.
Para o ambientalista Eduardo Romero, a notícia de que a taxa de desperdício diminuiu é boa, no entanto, o índice continua muito alto. “Só para exemplificar, é como se a cada 10 reais que tivéssemos, 1 real fosse jogado no lixo. É dinheiro que está sendo perdido. Quando desperdiçamos água, desperdiçamos dinheiro”, conta.
Romero também relaciona a economia de dinheiro com a preservação da água. “Quanto menos água limpa tivermos, mais taxas teremos que pagar para o tratamento da água e a nossa conta de água pode ficar mais cara”, explica o ambientalista.
Para Romero, a existência do Dia da Água no calendário mundial é fundamental para provocar a reflexão na humanidade. “A preservação da água precisa ser debatida na imprensa, em escolas, órgãos públicos e dentro da nossa casa. Mas essa preocupação não deve se restringir a essa data específica, deve ser uma preocupação constante”.
Adriana Oliveira
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Bacia do Rio Paraguai (Divulgação)