Uma prática que vem sendo cometida há anos na região do Pantanal vem causando a indignação de vários civis. Trata-se do fechamento das baías do rio Taquari.
O turismólogo Ariel Albrecht explica que essas baías se enchem na época de chuva, formando lagoas com milhares de peixes e com a seca, consequentemente, a água volta a percorrer seu curso normal, junto com os peixes. Porém, os fazendeiros do Pantanal estão prendendo essa água fazendo com que assim os peixes que nela vivem morram asfixiados, porque o nível de oxigênio vai baixando a partir do momento que a água vai se evaporando.
Segundo Ariel, que trabalha na área, essa é uma prática que provoca um desequilíbrio ambiental muito grande, afetando também as comunidades ribeirinhas que dependem do ciclo para sobreviverem.
Segundo relatos de pescadores da região são oito fazendas que fecham sete baías, tornando assim o pescado mais escasso.
O turismólogo acusa os fazendeiros de gerarem documentos tendenciosos, como laudos, perante órgãos estaduais e federais, que deveriam proteger o meio ambiente.
Ele conta ainda que essa prática é feita justamente na época que a pesca é proibida, no início de novembro. A área é fechada com sacos de areia formando muros com um pequeno corredor no meio. É nesse corredor que é injetada a areia, até encher tudo e interromper a entrada total de água.
Especialistas estimam que 99,8% dos peixes que morrem no rio Taqueri são por causa do fechamento de baías e somente 0,02% morrem pelos anzóis e redes de pescadores.
Ariel conta que em expedições que fez no local nos anos de 2005, 2007 e 2008, constatou milícias armadas fazendo a “proteção” das bocas das baías várias vezes ao dia. Os fazendeiros alegam que essas águas inundam suas terras, fazendo-os perder parte de suas pastagens, e que estão fazendo uma recuperação de área degradada.
A comissão que está combatendo essa prática é formada por integrantes do Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento Sustentável da Bacia Hidrográfica do Rio Taquari (Cointa), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MS), da Colônia de Pescadores, monitores ambientais, acadêmicos, entre outros.
Tatyane Soares/Com informações Edição de Notícias
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