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Polícia

"Ainda há muito o que investigar", afirma delegado sobre Caso Marielly

18 julho 2011 - 07h55 Por Markito

O inquérito sobre a morte da jovem Marielly Barbosa está em sua fase final. A afirmação foi feita pelo delegado Edilson Santos, na manhã desta segunda-feira (18) em coletiva conduzida por ele e pelo delegado Fabiano Nagata, ambos responsáveis pelas investigações. De acordo com a polícia o inquérito deve ser finalizado até o dia 12 de agosto.

O cunhado de Marielly Barbosa Rodrigues, Hugleice da Silva, 27 anos, confessou que levou a menina até a casa de Jodimar Ximenes Gomes, 40 anos, em Sidrolândia, para que ela fizesse o aborto que causou sua morte. No entanto, ele diz que não acompanhou a execução do crime até o fim, e que esperou a garota na porta da casa de Jodimar, até ser informado de que algo deu errado e em seguida, foi embora sem acompanhar o destino que teria o corpo. A informação também foi dada oficialmente na coletiva de hoje.

Embora Hugleice já tenha confessado participação levando Marielly até a casa de Jodimar, o esteticista ainda nega qualquer envolvimento no crime. Conforme o delegado Edilson, Hugleice se viu “obrigado” a confessar que levou Marielly até Sidrolândia, após quebra de sigilo telefônico, pois havia uma ligação em seu celular às 18h do dia do desaparecimento da jovem, 21 de maio, e constava que a chamada foi recebida no município. Lembrando que após ter desaparecido nesta data, o corpo da menina foi encontrado em uma estrada entre canaviais de Sidrolândia.

Hugleice afirma em seu depoimento que esperou em frente a casa de Jodimar enquanto ele fazia o aborto. Jodimar é enfermeiro formado e já chegou a atuar como tal em São Paulo, mas trabalhava como esteticista em sua casa em Sidrolândia. O delegado Fabiano Nagata lembra que na residência dele foram encontrados materiais cirúrgicos que foram recolhidos e servem como indícios de sua participação no aborto. Jodimar e Hugleice ainda estão presos temporariamente, com prazo de um mês, e caso seja necessário, conforme o delegado Edilson, será decretada a prisão provisória de ambos, que possui prazo de até seis meses.

O delegado Edilson reiterou que  “há muito o que fazer” sobre o caso. Ele afirma que as investigações agora seguem a fim de descobrir quem intermediou o contato entre Marielly e Jodimar, e quem participou da ocultação do cadáver, duas ações que são negadas por Hugleice. Conforme o prazo que foi requerido pela delegacia para concluir as investigações, o inquérito deve ser finalizado até o dia 12 de agosto, e se o delegado achar necessário poderá prorrogar mais uma vez em 30 dias, no entanto, Edilson acredita que não vai precisar, e que até dia 12 o caso estará desvendado.

Participação do cunhado

De início, Hugleice, negava que esteve em Sidrolândia ou que soubesse qualquer coisa a respeito da gravidez de Marielly. Conforme a polícia, a família da menina, que é a mesma de Hugleice por serem cunhados, omitiu que ele não estava em casa no dia do desaparecimento da garota, afirmando inclusive que ele estaria trabalhando no computador.

O delegado Edilson afirmou que Hugleice disse em depoimento que mentia para proteger a família. “Ele dizia que não falava a verdade para não causar transtorno à família”. O delegado ainda afirmou que a prisão de Hugleice foi estratégica, pois ele poderia atrapalhar as investigações por ser protegido pela família de Marielly. “Segundo a família, Hugleice era como um pai para a menina. E o fato de ele ser considerado assim, tornava difícil conseguir com que eles falassem a verdade. Após a prisão dele, nós questionamos, por exemplo, como uma pessoa considera uma jovem sua filha, abandonando-a dentro da casa de um estranho, fazendo um aborto”, afirmou o delegado. Edilson chegou a defender a família quando jornalistas perguntaram sobre as razões da omissão. “Se um dos seus familiares estiver sendo investigado, você vai mentir para protegê-lo”, disse o delegado.

Testemunha

Hugleice e Jodimar, conforme o delegado, chegaram a ser ouvidos juntos, e mesmo assim,  na frente do esteticista, Hugleice confirmou o aborto que teria sido feito por ele. Uma amiga de Jodimar também prestou depoimento à polícia e disse que estava na casa no dia em que Marielly procurou fazer o aborto.

A testemunha confirmou parte da versão de Hugleice, dizendo que viu Jodimar levando a menina para o quarto e o cunhado dela esperando em frente à casa, mas que percebeu que houve complicações na tentativa de aborto, e que Jodimar tentava reanimar a garota, quando assustada, foi embora para a sua casa e não viu o desfecho da cena. Ela, que trabalha com Jodimar, chegou a depor na frente dele, confirmando a história, e ainda disse que ele chegou a ameaçá-la para não contar nada à polícia.

O cunhado de Marielly diz que não sabe quem é o pai da criança que ela esperava, segundo ele, sua participação foi em apenas levar a garota até Jodimar. Hugleice diz, ainda, que tentou convencer a menina a ter o bebê, mas ela estava decidida a abortar.

Por enquanto, conforme a polícia, o único familiar responsabilizado pelo crime de acordo com o inquérito é Hugleice. “Até agora, as provas foram suficientes para indiciar Hugleice pela participação no crime e Jodimar pelo aborto qualificado, mas ainda não há provas de que o cunhado participou também da ocultação do cadáver”. A pena para o crime de aborto qualificado é de 3 a 10 anos.

O delegado Fabiano Nagata admitiu que a paternidade da criança que Marielly abortou pode ficar como uma incógnita na investigação. “Corremos o risco de não conseguir desvendar o pai, afinal o corpo estava em estado avançado de decomposição, mas estamos usando outros meios para chegar a esta resposta”, afirmou.

Ana Maria Assis

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