A caminhonete que teria sido usada por Hugleice Silva, cunhado de Marielly Barbosa Rodrigues, para levar a garota até Sidrolândia a fim de fazer o aborto que causou sua morte, está sob análise dos peritos criminais assim como a maca, encontrada na casa de Jodimar Ximenes Gomes, acusado de praticar o aborto da menina.
O delegado Fabiano Nagata, um dos responsáveis pela investigação da morte, afirma que “em poucos dias” o resultado da perícia deve estará pronto. Tanto na maca quanto na caminhonete, será feito um exame que pode detectar resquícios de sangue, mesmo que o material tenha sido lavado e conservado limpo por muito tempo.
Mesmo o resultado podendo representar mais provas contra os suspeitos já presos, o delegado afirma que aguarda sem pressa, agora que o material já está na perícia. Ele afirma que a polícia segue a linha de investigação ainda com outras prioridades. “Nós estamos procurando esclarecer tudo isso. Queremos saber, principalmente, quem levou o corpo de Marielly até o local onde foi encontrado, e mesmo que seja difícil, também investigamos a paternidade da criança que ela estava esperando”, destaca o delegado.
Conforme Nagata, há detalhes dos depoimentos que ele não pode divulgar, no entanto adiantou que tem evoluído nos interrogatórios de Jodimar com a ajuda das provas. Quanto à participação de Jodimar e Hugleice, ele disse que “até agora, está bem provado”. Jodimar, desde o início, havia negado qualquer tipo de envolvimento com a vítima e com o crime.
O delegado afirma que não vê necessidade, por enquanto, de interrogar mais familiares de Marielly, além de Hugleice que está preso sendo submetido a acareações com Jodimar e testemunhas, como a mulher que trabalhava com o enfermeiro e presenciou a chegada da menina para fazer o aborto.
O inquérito deve estar pronto até o dia 12 de agosto, podendo este prazo ser prorrogado, mas o delegado diz acreditar que não haverá necessidade de prorrogação.
Investigação
Marielly saiu de casa no dia 21 de maio, dizendo que iria “resolver um problema”, e não voltou. Desde então a família e a polícia procuravam a menina, tratando o caso como desaparecimento. Hugleice, seu cunhado, deu diversas entrevistas à imprensa neste período representando a família e relatando o sofrimento e a preocupação em encontrá-la. No entanto, o corpo da menina foi localizado no dia 11 de junho, em Sidrolândia próximo a um canavial.
O exame no corpo, mesmo em avançado estado de decomposição, comprovou que Marielly havia feito um aborto de uma gravidez de três meses, e que a complicação na cirurgia teria ocasionado sua morte. A Polícia Civil, por meio de diversas diligências em Sidrolândia e colhendo depoimentos, foi até a casa de Jodimar, que trabalhava como esteticista, encontrando materiais de enfermagem que poderiam confirmar a desconfiança da polícia.
Após suspeita também de Hugleice, foi solicitada a quebra de sigilo telefônico, que proporcionou a prova de que ele estava em Sidrolândia às 18h, no dia do desaparecimento de Marielly. Com o indício, o cunhado da vítima que dizia até então não ter saído de Campo Grande, mudou a sua versão, dizendo que participou do crime apenas levando a menina até a casa de Jodimar, pois ela estava irredutível quanto à decisão do aborto.
Uma mulher que trabalhava com Jodimar também prestou depoimento á polícia confirmando que Marielly foi ao local fazer o aborto na companhia do cunhado, mas que ele esperou fora da casa enquanto Jodimar se encarregou do procedimento. A testemunha disse à polícia que Jodimar tentou reanimar a garota quando houve uma complicação na cirurgia, e ela, assustada com a situação, resolveu ir embora. O cunhado da menina também diz que quando o aborto “deu errado”, Jodimar avisou e pediu para que ele fosse embora, pois “daria um jeito”, e então ele voltou a Campo Grande sem Marielly.
No entanto, Jodimar ainda nega o aborto e até que já viu Marielly e Hugleice. Mesmo na frente da testemunha em acareação, e mediante as provas, o enfermeiro esteticista não confessa o crime de aborto.
Ana Maria Assis
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