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Polícia

Maior facção criminosa do país se estabeleceu em Nova Andradina, diz polícia

20 abril 2013 - 08h30 Por Ana Paula Duarte/ Com informações Nova News

A Polícia Civil afirmou não ter dúvidas quando à presença e atuação da maior facção criminosa do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC), em Nova Andradina. A declaração é resultado de levantamento que aponta o crescimento de ações ligadas ao crime organizado nos últimos meses.

Segundo a Delegacia Regional de Polícia Civil, apesar da redução no número de crimes ligados à violência física, as ações contra o patrimônio chamam a atenção, principalmente roubos a camionetes e carros. Conforme a autoridade policial, pelo menos seis camionetes foram roubadas somente em 2013.

No mês de março, até um caminhão, avaliado em R$ 200 mil, foi levado em uma ação que teria contado com a participação de aproximadamente seis pessoas. “As atividades não se restringem ao perímetro urbano, pois os autores não têm se importado com a área de atuação. Seja na cidade ou na zona rural, se há o bem que desperta interesse aos criminosos, eles entram e praticam o crime”, afirmou o delegado André Novelli.

A Polícia Civil tem atuado na identificação dos integrantes e procura desmantelar a quadrilha, porém, as autoridades acreditam que, com uma estrutura organizada e número considerável de pessoas à disposição do crime, o combate se torna uma tarefa difícil. “Não estamos lidando com surgimento da facção e sim, com a instalação dela. Percebo que acontece uma aceleração da atividade criminosa, como se fosse uma empresa em pleno crescimento”, avaliou o delegado.

A polícia afirma que este cenário remete ao tráfico de drogas, uma vez que, os veículos roubados são utilizados como moeda de troca para aquisição de entorpecentes no Paraguai. “São apenas 4h de viagem para se chegar à fronteira. Às vezes esse é o tempo que as vítimas levam para conseguir escapar e acionar a polícia”, pontuou Novelli.

Em relação às ações de combate ao tráfico de drogas, o delegado afirmou que, na visão dos traficantes, os prejuízos são pequenos, mesmo quando a polícia realiza apreensões expressivas. “É difícil falar em valores, pois sabemos que a quantidade de droga é muito grande. Acreditamos que, o montante de entorpecente apreendido é pequeno em relação ao volume que é transportado. São muitas rotas alternativas, e como há consumidores destes produtos, os traficantes só pensam no lucro, ignorando o mal social que suas práticas provocam”, afirmou o policial, ao dizer que, quem atua no tráfico envenena a sociedade, e compromete o futuro, inclusive de seus próprios filhos.

Segundo ele, a maior dificuldade é que a investigação criminal tem regras, limites individuais que são impostos pelo Estado. “Os criminosos se vestem como cidadãos de bem e se valem dos direitos destes mesmos cidadãos. Cabe a nós, policiais, o ônus da prova e aí surgem as dificuldades. Os bandidos não têm limites, mas a polícia tem”, desabafa.

Como exemplo, o policial afirmou que, quando um ladrão age, ele deixa o local do crime e, pouco depois é localizado pelas autoridades já de mãos vazias.

“Arma vai para um lado, veículo para outro, produto da ação para outro. Como a gente faz para prender? Existe uma estrutura com funcionários a serviço do crime em número bem maior do que o efetivo policial”, disse.

A polícia afirma ainda que, muitos casos de furtos de motocicletas estão ligados à logística do tráfico. Essas motos seriam utilizadas para distribuição de entorpecentes no perímetro urbano, transporte da droga por vias alternativas, como estradas vicinais e ainda como moeda de troca por substâncias ilícitas. “Os agentes do tráfico negociam com grupos criminosos menores, que ficam responsáveis por ações de menos expressão, como a subtração de motos. O que parece ser um caso isolado de furto é, na verdade, uma ação ligada de forma indireta à indústria da droga”, conclui.

Responsável pela Delegacia Regional da Polícia Civil, localizada em Nova Andradina, o delegado André Novelli avalia que, mais de 80% da população carcerária tem envolvimento com tráfico de drogas.

A recomendação da autoridade policial, principalmente aos proprietários de camionetes, é ter atenção redobrada e, em caso de roubo, não reagir para evitar atos violentos por parte dos criminosos, e acionar a polícia de imediato.

Em março de 2012, o Ministério Público Estadual (MPE) já havia oferecido denúncia contra diversos integrantes de organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) que vinham atuando no município. Ao todo, foram denunciadas 16 pessoas pela prática dos crimes de quadrilha e associação ao tráfico, três pelo envolvimento em crime de roubo e outras nove pelo cometimento de crimes de ameaça e cárcere privado, estes praticados contra integrantes da própria organização.

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