Fernanda Figueiredo do Amaral, 24, moradora no Rio de Janeiro, foi autuada no final da tarde de terça-feira (15), acusada por associação criminosa e estelionato. Ele é considerada uma das articuladoras do esquema que comercializava supostas vagas remanescentes para a faculdade de Medicina da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados).
Segundo as investigações, o grupo pedia R$ 50 mil para que os interessados adentrassem na instituição sem a realização das avaliações necessárias.
Fernanda acabou detida pela Polícia Militar no início da tarde com outras duas mulheres de 26 e 31 anos (a informação inicial apresentava ambas com 25 e 30 anos) – residente nos Estados da Bahia e Rio de Janeiro respectivamente, numa casa no Novo Parque Alvorada. Porém, foram tratadas como vítima.
Uma delas garantiu que depositou R$ 35 mil a um intermediário identificado apenas como César, que junto com a mãe da acusada, é alvo de investigação.
Na residência onde as mulheres foram presas, a polícia apreendeu cópias de documentos e transferências bancárias que comprovaram o golpe.
De acordo com o delegado do SIG (Serviço de Investigações Gerais) da Polícia Civil, Adilson Stiguivitis, caso condenada, Fernanda poderá pegar de um a três anos de detenção e apesar de afiançável, o valor não foi arbitrado e ela ficará na delegacia.
Como funcionava o esquema
De acordo com o depoimento das mulheres, César oferecia a vaga alegando que seria remanescente de provas vestibulares passadas e cobrava o valor para que a pessoa entrasse no esquema.
Diante do acerto entre as partes, outros envolvidos se passavam por pessoas de dentro da universidade, que, segundo as investigações preliminares, não faziam parte do quadro de servidores da instituição.
O esquema era tão profissional, que as pessoas chegavam com o cartão provisório dos estudantes e a grade curricular do curso.
Nota de esclarecimento
Em resposta, a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) divulgou nota de esclarecimento ontem. Confira abaixo:
'No que tange às vagas denominadas ociosas, que se tornam remanescentes ao longo do ano letivo dentro dos cursos, a UFGD esclarece que, quando existem, são devidamente preenchidas por meio de edital público, no qual são definidos os critérios utilizados para a seleção de acordo com a legislação vigente.
Cabe informar, que desde 2007, não existem vagas ociosas no curso de Medicina da UFGD. A instituição alerta para as práticas da oferta, negociação e venda de vagas, pois tratam-se de ações criminosas.
O Conselho Universitário, órgão colegiado máximo da instituição, definiu em resolução que a ocupação das vagas ociosas ocorre por edital, como citado, e obedece a seguinte ordem:
-Edital de Portador de Diploma para Complementação de Grau ou Habilitação (quando o estudante completa a licenciatura, por exemplo, e ingressa como portador de diploma no bacharelado, do mesmo curso);
-Edital de Transferência Voluntária (quando o aluno, de qualquer instituição brasileira de ensino superior se transfere para vaga existente em outra instituição, do mesmo curso ou curso de áreas afins);
-Edital de Portador de Diploma (quando o aluno já é graduado e, por meio do diploma, ingressa em outro curso da instituição)',
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