Pagamentos milionários feitos pelo governo de Mato Grosso a construtoras abasteceram um esquema de lavagem de dinheiro e de desvio de recursos públicos, afirma a Polícia Federal. Os desvios, segundo investigação, ocorreram a partir do pagamento de precatórios nas gestões do hoje senador pelo PR Blairo Maggi (2003-2010) e de Silval Barbosa (PMDB), atual governador.
Precatórios são dívidas que o Estado tem que honrar por ordem judicial. Devem seguir uma fila de pagamentos – idosos e doentes graves, por exemplo, têm prioridade.
Agora, na Operação Ararath, deflagrada em 2010 e que apura suposto esquema de corrupção com braços em todos os Poderes de MT, a PF descobriu que a Andrade Gutierrez, assim que recebeu a garantia de pagamento, vendeu os créditos dos precatórios a uma empresa alvo da operação.
Para a polícia e o Ministério Público Federal, a operação deu prejuízo à empreiteira e "serviu apenas para escudar transferência de recursos do Estado para a Piran".
Papéis dessa transação foram apreendidos com Éder Moraes (PMDB), ex-secretário da gestão Maggi e do governo de Silval Barbosa. Ele está preso e é acusado de operar o suposto esquema.
A PF diz que é preciso quebrar o sigilo bancário da Andrade Gutierrez e da Piran –ainda não há decisão a respeito. Para a PF e o Ministério Público Federal, a Piran e Moraes são operadores do "banco clandestino" que movimentava empréstimos privados fraudulentos e dinheiro público desviado em MT.
Outro empresário apontado como operador, Gércio Mendonça Jr. aceitou ser delator em troca de benefícios na acusação e disse que a Piran "lava dinheiro" para Moraes e seu grupo político.
Suspeita-se ainda que o esquema tenha braços no Legislativo, no Judiciário e no Ministério Público do Estado de Mato Grosso.
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