Mais um escândalo envolvendo políticos do município de Bonito vem à tona. Depois da divulgação de um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) constando diversas irregularidades na aplicação de verbas federais, agora a ex-presidente da Câmara, vereadora Luisa Aparecida Cavalheiro de Lima (PPS) está sendo acusada de tentar comprar votos para mudar o regimento interno com o objetivo de tentar a reeleição e subornar fiscais do Tribunal de contas do Estado. Apenas para um vereador, ela ofereceu R$ 12 mil.
O responsável por gravar as negociações foi Pedrinho da Marambaia (PMDB), mas foi apresentadas ao Ministério Público Estadual (MPE) pelos vereadores Josmail Rodrigues (PSDB) e Amir Peres Trindade (PDT), uma notícia crime requerendo a denúncia contra a vereadora, com pedido de prisão e condenação pelo crime de improbidade administrativa.
Também foi entregue junto ao pedido feito ao MPE, uma gravação, onde os vereadores – Reginaldo dos Reis Nunes Rocha, o “Nandinho do Correio” (PT) e Pedro Rosário (PMDB) – falavam sobre a possível reeleição da presidente da Câmara (Luisa Aparecida). “Nandinho” também citou os benefícios que receberia por apoiar a vereadora.
Reginaldo é o atual presidente da Câmara de Vereadores de Bonito. E um dos trechos da gravação, o vereador petista também relata a promessa feita pela vereadora de custear uma viagem a Brasília (DF).
Estratégia
De acordo com a ação apresentada pelos vereadores ao MPE de Bonito, a estratégia da então presidente da Câmara para ser reeleita foi prejudicada por uma fiscalização do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em 2010, ela convocou todos os vereadores para uma reunião, quando relatou estar diante de um escândalo, de acordo com a declaração dos vereadores Josmail e Amir.
O tal escândalo seria pela glosa (supressão), pelo TCE, “de verbas pagas a vereadores, relativas às diárias, subsídios e viagens a Brasília, portanto eram indevidas”, conforme publicado na matéria do Correio do Estado, na última sexta-feira (27).
Na ocasião, a vereadora Luisa teria dito que havia uma solução menos desgastante politicamente, que consistia em subornar dois fiscais do TCE. “(Eles) haviam solicitado da presidente à época R$ 16 mil de cada vereador, para, mediante pagamento de ‘propina’, fazerem ‘vista grossa’ e não levarem o caso ‘adiante, relatam os parlamentares na notícia crime.
A presidente da Câmara ainda teria proposto pagar o valor, integralmente, com a condição dos vereadores aprovarem modificação no regimento interno que permitisse a reeleição dela.
Amir e Josmail relatam que os vereadores se opuseram à proposta de Luisa.
Passado alguns dias, a vereadora comunicou aos colegas do Legislativo a necessidade de cada um dispor de R$ 1,333 mil para somar 12 mil, valor da multa aplicada pelo tribunal. “Disse ainda a vereadora Luisa, ao menos em relação aos requerentes: já que recusaram os meios por ela proposto, então cada qual deveria entregar-lhe o valor a ser recolhido ou depositar em conta corrente”. A presidente da Câmara, no entanto, nunca prestou contas do pagamento da multa, apontam os parlamentares.
No fim de 2010, Luisa não conseguiu modificar o regimento interno para a reeleição, como queria, e foi derrotada por 5 votos a 4. Com isso, ela teria iniciado uma nova estratégia e lançou Reginaldo dos Reis, do PT o “Nandinho do Correio” ao cargo.
Os vereadores que apresentaram a notícia crime afirmam ainda que a compra de votos teria sido discutida em plenário.
Ainda publicado na mesma edição do jornal, para comprovar a denúncia, pediram cópia da gravação da sessão realizada em 14 de dezembro. Em janeiro deste ano, o vereador Reginaldo, já na presidência da Câmara, informou que o computador em que eram armazenadas as gravações sofreu danos por ficar parado no recesso. “Visto o recesso de final de ano mais férias (sic) coletivas, no reinicio (sic) das atividades do Hard Disk 160 gb apresentou dano permanente”, disse o comunicado do presidente.
Karla Lyara
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