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Política

PF vai investigar atentado contra estudantes indígenas em MS

7 junho 2011 - 06h44 Por Markito

O atentado contra estudantes indígenas no município de Miranda, a 203 quilômetros de Campo Grande, passará a ser investigado pela Polícia Federal (PF) a partir desta segunda-feira (6). O crime aconteceu na noite da última sexta-feira (3), quando o ônibus em que estavam os estudantes foi incendiado com coquetel molotov. Cinco pessoas, entre alunos e o motorista, ficaram feridos gravemente e foram levados para o hospital da cidade e a Santa Casa da capital.

O delegado da Polícia Civil que está exercendo interinamente o cargo na delegacia de Miranda, Tiago Macedo, informou ao G1 que o caso é da jurisdição da PF porque se trata de um crime de violação aos direitos da comunidade indígena.“Fizemos alguns levantamentos periciais preliminares e todas as informações e laudos que obtivemos até o momento serão encaminhados à PF ainda nesta tarde”, informou Macedo.

Ainda segundo o delegado, as informações preliminares apontam que os autores estavam de fato à emboscada escondidos na mata.“Acreditamos que com certeza os a autores sabiam da rotina dos estudantes. O ônibus sai todos os dias levando alunos das cinco aldeias e acampamentos indígenas que existem na região”, afirmou o delegado.
SuspeitaCaciques das aldeias de Miranda acreditam que os autores do atentado não sejam indígenas. “Acreditamos que esse crime não tenha sido praticado por um indígena. Haviam estudantes de várias comunidades e não é da nossa cultura atacar patrícios da nossa própria aldeia”, explicou o cacique da aldeia Cachoeirinha, Adilson Antônio.

Ele informou ainda que está conversando sobre o atentado com todos os moradores da aldeia e deve entregar um relatório para a PF com as informações que obtiver. “Queremos contribuir para que seja feita a justiça. Seja quem for, índio ou não índio tem que ser punido”, afirmou o cacique.

Na aldeia Argola, o cacique Fernando Antônio da Silva, contou que a ida dos estunates para a cidade, por hora, está suspensa porque o acontecimento é recente e o clima ainda está tenso no local. “Não sabemos ainda os motivos do atentado e isso assusta a comunidade”, afirmou o cacique.

Os líderes indígenas analisam ainda que o atentado trouxe à tona diversos problemas que os indígenas sofrem em MS, principalmente em relação à educação e a saúde.“Tivemos que contar com o apoio de nossos amigos da cidade para levar os feridos e fazer os translados. Se não fosse (a ajuda), o atendimento demoraria mais. Além disso muitos alunos vão para a cidade fazer preparação para vestibular, sendo que esse tipo de curso poderia muito bem ser oferecido nas escolas da comunidade", explicou Adilson.

Caso

 O ônibus com 22 estudantes indígenas foi incendiado com coquetel molotov por volta das 23h da última sexta-feira. O coletivo é de uma empresa que presta serviços para a prefeitura no transporte escolar. O veículo, faz diariamente o trajeto de aproximadamente oito quilômetros entre o centro e as aldeias da zona rural, levando estudantes indígenas, e estava próximo à entrada da Aldeia Babaçu quando foi atacado.

Conforme relataram estudantes aos policiais militares, um homem saiu correndo de um matagal às margens da estrada e atirou um coquetel molotov no parabrisa do ônibus. Com o impacto, o vidro se quebrou e o fogo se espalhou pela parte dianteira do veículo.

Uma estudante de 18 anos que estava dentro do ônibus, contou que estava no segundo banco, atrás do motorista e que a uma mochila em seu colo foi o que a salvou de ter o corpo todo queimado pelo fogo.

“Eu só vi a garrafa com fogo dentro vindo na direção do parabrisa e na hora que bateu no vidro foi espirrando pelo ônibus. Foi tudo muito rápido, meu chinelo derreteu e foi a minha mochila que salvou o resto do meu corpo. Na hora que eu vi pegando fogo joguei a minha mochila no chão. Todo mundo ficou em pânico e não sabíamos o que fazer”, contou a menina.

Ela está internada no Hospital Regional de Miranda e teve a mão direita e as duas pernas queimadas até a altura do joelho.

 

Karla Lyara/Fonte:G1

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