As novas tabelas e reajustes específicos das polícias Civil e Militar, enviadas para a apreciação da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, foram retiradas de pauta da sessão ordinária desta terça-feira (21). Com o plenário lotado, deputados andando a passos largos de um lado para o outro e imprensa ouriçada, após duas suspensões, o presidente Jerson Domingos anunciou a retirada de três matérias, referentes ao reajuste dos civis, militares e a proposta de extinção da classe dos substitutos.
De acordo com o governador, cada tabela relacionada a uma categoria tem a sua peculiaridade e nenhuma - com exceção dos cargos comissionados, que terão 5% de aumento e dos delegados com 6% - teria reajuste menor que 7%. No caso dos delegados, a categoria teve também o reconhecimento de carreira jurídica, conforme havia sido negociado.
Das categorias, apenas os escrivães e investigadores da Polícia Civil ainda não haviam fechado acordo, segundo o governador. “Estamos com as negociações abertas, para que nós possamos esgotar toda e qualquer medida por parte do Governo para eventualmente atendê-los. Até o momento da votação estou disposto a negociar”, afirmou Puccinelli.
Hoje, a Polícia Militar amanheceu em estado de aquartelamento, também pedindo melhores condições salariais.
A proposta inicial de reajuste do governo para a Polícia Civil é de 7% (em 2013), 8%(em 2014 ) e 12% (em 2015), escalonados até 2015. A categoria pede, no mínimo, 10% em maio deste ano, outros 10% em maio de 2014 e os 7% restantes em 2015.
No caso dos cabos e soldados da Polícia Militar, o governo propôs o reajuste de 7% este mês, 8% em 2014 e 20% em 2015. A Associação de Cabos e Soldados da PM negou e contrapôs, pedindo que o reajuste total, de 35%, fosse dividido em apenas duas etapas, não três. Dessa forma o governo pagaria 17,5% do aumento este mês e outros 17,5% em maio de 2014.
Manifestações
Com o plenário lotado de policiais e apoiadores da causa, a movimentação na Assembleia Legislativa, durante a sessão desta terça-feira, teve ares e atos de civismo, fé e tensão. Isso porque, antes dos deputados adentrarem o plenário, todos se levantaram e cantaram o Hino Nacional, sem qualquer acompanhamento. Depois foi a hora de apelar para a oração do “pai nosso” e, com a sessão já aberta, em momento algum, os presentes deixaram de se manifestar, sem qualquer restrição, chegando em alguns momentos a até dialogarem com a Mesa Diretora, direto da plateia.
Durante costumeira leitura de indicações dos deputados, ainda no começo da sessão, o parlamentar Lidio Lopes foi vaiado pelos policiais. Ele disse que como servidor público, que também é, lamentava se sentir “impotente” perante “algumas situações”. Sem titubear as vaias vieram. Lidio foi orientado a prosseguir com a leitura das indicações e se pronunciar posteriormente, em momento oportuno, sobre a questão das polícias. Depois disso, visivelmente envergonhado, o deputado desapareceu da sessão.
O presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa, deputado Cabo Almi, se pronunciou como intermediário das negociações, mesmo conhecendo de perto a rotina dos PMs. “Não podemos ser nem tanto o mar, nem tanto a terra”, exemplificou.
Depois de retornar de uma suspensão, a sessão ordinária ainda teve outra, justificada pelo presidente da Casa, para que os representantes do Sinpol/MS e da Associação de Cabos e Soldados pudessem se pronunciar.
O presidente do Sinpol/MS, Alexandre Barbosa da Silva, subiu à tribuna e imediatamente gritou “polícia unida jamais será vencida”. Depois de esbravejar outras palavras de ordem e convocar os colegas para outros protestos e iniciativas dos grevistas, Silva pediu a retirada da tabela do reajuste da pauta.
De acordo com ele, amanhã (22), de 90% a 100% dos policiais civis em Mato Grosso do Sul estarão parados.
Depois foi a vez de Edimar Soares da Silva, presidente da Associação de Cabos e Soldados. Mais radical disse que os 5% linear base, já aprovado, e nada, são a mesma coisa para a categoria.
Edimar disse ao MS Repórter que só convoca assembleia geral se o governo fizer uma proposta mais razoável. “Não vou convocar assembleia pra apresentar uma nova proposta com 1%,2% de aumento.”
Trâmite
O presidente do Sinpol/MS disse que fará uma grande passeata com a categoria amanhã, pelo Centro da Cidade. O fechamento de rodovias também é uma das opções estudadas pelo grupo, conforme disse a assessoria do sindicato.
As negociações com cabos e soldados devem evoluir no decorrer da tarde de hoje. Para a categoria não há margem para flexibilização.
As tabelas deverão ser votadas na sessão ordinária desta quarta-feira. Caso não haja acordo, o reajuste oferecido fica em torno dos 7%.