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Política

Governo e indígenas de MS têm reunião conciliatória

13 junho 2013 - 11h30 Por Lucas Junot - com informações da Assessoria

Depois de semanas de tensão e da morte de um índio terena, durante a tentativa de reintegração de posse da Fazenda Buriti, indígenas e governo tiveram a primeira reunião em tom conciliatório, a fim de encontrar uma solução para os conflitos fundiários entre índios e produtores rurais em Mato Grosso do Sul.

A morte do terena Oziel Gabriel, no dia 30 de maio, acirrou os ânimos na região de Sidrolândia e aqueceu as disputas por terras no Estado. Lideranças indígenas de Mato Grosso do Sul foram recebidas pelos ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams. Parlamentares da bancada federal do Estado também estiveram presentes.

“Tivemos uma reunião bastante importante, e ficamos esperançosos de pelo menos começar o diálogo dessa discussão. Nosso país precisa muito de diálogo para discutir esse problema que não é nosso e que também não é dos produtores rurais, é um problema que o próprio Estado criou. Então o Estado precisa criar políticas e questões jurídicas que podem resolver esses problemas”, avaliou o índio guarani-kaoiwá Anastácio Peralta.

Segundo o senador Delcídio Amaral (PT), há um consenso de que é necessário indenizar as áreas destinadas à criação de terras indígenas e o governo está buscando alternativas para chegar a uma solução definitiva para os conflitos. “A partir do momento em que o governo busque uma solução para indenizar as áreas, nós vamos começar já a mitigar esses efeitos, a distensionar o clima para trazer tranquilidade a todos: para as etnias, para os produtores”, disse.

De acordo com o senador, existe previsão orçamentária de R$ 50 milhões para indenizações em 2013. “Não é suficiente, mas é um começo”, reconheceu. A solução, no entanto, na avaliação de Amaral, não depende apenas “de uma penada” para ser resolvida. “Eu volto a repetir, essa é uma solução ampla, que não envolve só as lideranças indígenas, os produtores, o governo estadual e o governo federal. É mais complicada, envolve o Judiciário”.

Na próxima semana, as lideranças indígenas e o governo voltarão a se reunir para discutir as disputas fundiárias em Mato Grosso do Sul. Até lá, será mantida a ocupação da Fazenda Buriti, onde o terena Oziel Gabriel foi morto. “Nosso posicionamento de não sair permanece. Recuar, por enquanto, não. Infelizmente, tivemos de perder vidas de guerreiros para que isso viesse à tona, mas temos confiança e esperança de que daqui para a frente conseguiremos achar uma solução”, disse o terena Lindomar Ferreira, que também participou da reunião.

Apesar da ocupação, a situação na Fazenda Buriti está menos tensa, segundo o senador Delcídio Amaral. Desde a semana passada, 110 homens da Força Nacional de Segurança estão na região para conter os conflitos entre os índios e fazendeiros.

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