Líderes comunitários, conselheiros regionais e usuários da rede pública de saúde reprovam o serviço prestado nas mais de 80 unidades espalhadas por Campo Grande. Durante audiência na tarde desta sexta-feira (13), no Plenário Edroim Reverdito, na sede da Câmara Municipal, diversos segmentos da sociedade discutiram a humanização do atendimento e cobraram melhorias no sistema.
“Humanização é a relação entre pessoas. É reconhecer seu próximo, as dificuldades dele e tentar supri-las. Agora, por que a humanização é tão importante na saúde? Porque vida é a coisa mais preciosa que nós temos. Deve existir uma relação de respeito e humanidade de ambos os lados”, explicou Renato Figueiredo, presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul.
O debate foi convocado pela Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal, composta pelos vereadores Paulo Siufi (presidente), Dr. Jamal (vice), Coringa, Elizeu Dionizio e Chiquinho Telles. O objetivo foi colher reivindicações e transformá-las em indicações, requerimentos e até mesmo projetos de lei.
Durante as discussões, que tiveram ainda a presença de agentes de saúde, as principais reclamações foram falta de médicos, de materiais e más condições estruturais das unidades básicas de saúde. “Você vai naquele posto de saúde das Moreninhas, é um cheiro de barata. É vergonhoso ter um posto daquele. Entre o Hospital da Mulher e o posto de saúde, é um cheiro de urina. Absurdo”, denunciou Valdeci Oliveira, líder comunitário da Moreninha III.
Alexandre Moura, presidente do Conselho Regional do Lagoa, sugeriu melhorias no atendimento primário, quando o usuário chega na unidade e é atendido logo na recepção. “Na área da saúde, esse atendimento humano tem que estar acompanhado da atenção ao cidadão. É no modo de falar, de olhar de uma forma atenciosa. O paciente chega procurando a cura, sentindo dor, irritado. Às vezes você fala bom dia e a pessoa nem responde, não olha nos olhos da pessoa. O funcionário público tem que saber que ele está ali para atender bem as pessoas”, reclamou.
Vanderlei Lima, do Conselho Regional do Bandeira, e Carlos Oliveira, presidente dos bairros Oliveira I e II, fizeram denúncias. O primeiro levou cópia de um pedido de exame feito em 31 de julho e, até o momento, não respondido. Já Oliveira levou pedidos de remédios feitos há quase um mês, também sem resposta. “Vamos cobrar do nosso Prefeito. Quero pedir que vejam essas reclamações. Tenho 31 anos de Campo Grande e conheço bem essas histórias”, pontuou.
Segundo o vereador Chiquinho Telles, que conduziu os trabalhos, uma cópia da ata da audiência será encaminhada ao MPE (Ministério Público Estadual) e novos debates serão realizados.
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