Depois de polêmicas entre as duas chapas concorrentes, a juíza Gabriela Müller Junqueira, da 7ª Vara Cível de Campo Grande, determinou na última segunda-feira (30) a suspensão da eleição da nova diretoria da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) que aconteceria no dia 7 de junho.
A magistrada tomou a decisão de suspender a eleição por conta da ação cautelar movida pela chapa "A Força do Agronegócio", encabeçada pelo pecuarista José Lemos Monteiro – o Zeito, que alega descumprimento do estatuto e falta de transparência no processo por parte da atual diretoria da entidade.
Do outro lado está Francisco Maia, atual presidente da Acrissul e candidato à reeleição, que afirma que a chapa de seus opositores tem irregularidades em sua composição.
Tempo de votação
O imbróglio entre as chapas de situação e oposição começou quando a entidade mudou o horário da votação (das 8 às 15 horas) para a noite (das 19 às 22 horas) reduzindo o tempo em quatro horas.
"É nesse horário que o associado está mais tranquilo, já resolveu suas pendências burocráticas durante o dia - é o mesmo horário dos leilões - e a eleição será por urna eletrônica, o que garante votação e apuração rápidas", justifica o vice-presidente da Acrissul, Jonathan Pereira Barbosa.
O candidato Zeito, portanto, não concordou com a resolução, e rebateu alegando "desespero e falta de respeito aos sócios".
“Várias pessoas da Acrissul são de idade avançada e têm pessoas que moram em cidades vizinhas, como Sidrolândia. Esse horário de votação as obrigaria a dormir em Campo Grande e dificultaria a votação dos idosos”, disse.
Além disso, Zeito observa que se o processo tiver início na segunda chamada, o tempo para o voto de cada pecuarista será mínimo. “Se considerarmos 600 associados seriam 12 segundos para cada um votar. É um absurdo, além de dificultar o acesso a mudança repentina de horário também é uma forma de confundir os sócios”, completa.
Ação Judicial
A alegação da chapa "A Força do agronegócio" foi que, ao não entregar a lista de eleitores, a Acrissul descumpriu o estatuto e não agiu com a transparência devida. O advogado da chapa, Antônio Pinoti, afirma que além de se negar a prestar essas informações, Francisco Maia também não compôs a comissão como deveria ter feito.
“A primeira atitude a ser tomada no processo, conforme o estatuto, é criar a comissão eleitoral e aí sim se publica o edital e segue os demais passos. Porém, o presidente elaborou ele próprio o edital e depois ainda o republicou, tudo isso sem ter uma comissão eleitoral”, informa Pionti.
Por isso, conforme decisão judicial, a eleição fica suspensa até que a composição de tal comissão seja publicada oficialmente.
Camila Bertagnolli
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