Já é possível verificar os “sintomas” das duas geadas consecutivas que ocorreram no sul do Estado no início da semana. Isso pode ter prejudicado aproximadamente 45 mil hectares plantados com milho safrinha em Mato Grosso do Sul, de acordo com levantamento preliminar feito pela Fundação MS. Os prejuízos foram maiores nas plantações dos municípios de Dourados, Amambai e Ponta Porã.
De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), o percentual dos danos ainda não foi calculado. Só se sabe que as plantações mais adiantas não perderam tanto.
O produtor e vice-presidente do Sindicato Rural de Dourados, Lucio Damalia, explica que ainda está muito cedo para fazer qualquer levantamento, mas "quem tiver um bom olhar clínico daqui uns 10 dias isso já será possível". Damalia acrescenta ainda que em Douradina, a 194 km da Capital, aparentemente a perda poderia ter sido bem maior.
Em Dourados, umas das regiões mais afetadas, onde a mínima registrada foi de 1ºC, 70% da safra estava em um estágio onde qualquer temperatura “muito baixa’ poderia afetar o grão, afirma o diretor do Sindicato Rural de Dourados, César Dierings.
Pasto
A preocupação também se estende à pecuária, já que a geada atingiu os pastos, que já vinham de um período de estiagem. A seca é o que geralmente mais preocupa os pecuaristas neste período do ano.
Este ano choveu mais, então o solo está mais úmido e o pasto mais verde. Só que onde a geada é mais intensa, o suficiente para queimar o pasto, acaba o alimento”, afirma Alexandre Ageiova, pesquisador de Sistemas Integrados da Embrapa.
O pesquisador explica que nos períodos de seca, é comum o gado se alimentar de proteinado. É o que dá energia o suficiente para ele converter a pouca forragem que come. Quando atingido pela geada, o pasto morre, e se ele falta, o gado não tem sua alimentação garantida.
A esperança dos pecuaristas é de que venham as chuvas previstas para os próximos dias, com precipitação suficiente para que haja o rebrote da pastagem. Para o milho, uma chuvarada poderia ajudar a compensar as perdas, já que é possível que ela colabore no desenvolvimento dos grãos que não foram atingidos pelas geadas.
Karla Lyara
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