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Terenas saem de reunião com ministro só com promessa de fórum para demarcação

7 junho 2013 - 06h34 Por Mariana Anjos / Com Informações Região News

Os terenas que viajaram mais de 1.200 quilômetros de Sidrolândia até Brasília, de ônibus, além de não conseguirem ser recebidos pela presidente Dilma Roussef, só estão trazendo na bagagem a promessa da criação de fórum para discutir o impasse criado com a retomada da Fazenda Buriti, uma das 38 propriedades incluídas no perímetro de 17 mil hectares reivindicados como terra indígena.

Foram três horas e meia de reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em que o tema principal foi o desfecho violento da reintegração de posse da Buriti, em que índio Oziel Gabriel, de 35 anos, foi morto na semana passada. "Vou propor a possibilidade de debatermos e chegarmos a um acordo sobre como pode ser solucionado esse conflito. A ideia é criar um fórum de negociação onde o governo federal vai estar presente", disse Cardozo a jornalistas.

Ele prometeu discutir o assunto com o Conselho Nacional de Justiça, Ministério Público e com o governo do Mato Grosso do Sul. O fórum deve ser instalado dentro de 15 dias. De acordo com Cardozo, os terena se comprometeram a não fazer novas ocupações, permanecendo nas terras em que já estão até o início da negociação.

"É uma decisão que eles vão tomar e o Judiciário vai decidir. Nós fizemos apelo veemente para que nenhum ato de violência fosse praticado e se buscasse restaurar a legalidade", afirmou o ministro. Cardozo e o ministro da Secretária-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, assinaram uma nota em que também assumem o compromisso de um "apuração rigorosa" e "imparcial" da morte de Oziel por meio de "inquérito policial, onde será feita perícia isenta".

Na avaliação do ministro, hoje a situação é de "arrefecimento do clima de tensão". "Posso estar enganado, mas já há um aceno para uma possibilidade de acordo. "Aqueles que acham que com radicalização se resolve o problema da questão indígena estão errando, estão inviabilizando uma solução para o problema. A ideia nossa é que todos nós sentemos em conjunto e discutamos as soluções possíveis e que sejam juridicamente admissíveis", afirmou Cardozo.

Na reunião com os terenas estavam, além do ministro da Justiça, o ministro-chefe da Secretária-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho; o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams; a subprocuradora-geral da República, Gilda Carvalho; além de cerca de 60 índios da etnia Terena e suas lideranças. O fórum deve ter início em até 15 dias e a expectativa é que as negociações durem até dois dias.

O índio terena Antônio Aparecido, cacique da Aldeia Córrego, que participou do encontro com o governo, aposta no sucesso do fórum. “Para nós é um ponto positivo , apesar de várias audiências. Mais uma vez vamos acreditar na Justiça para que possa ser agilizado o mais rápido possível”.

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