Os terenas que viajaram mais de 1.200 quilômetros de Sidrolândia até Brasília, de ônibus, além de não conseguirem ser recebidos pela presidente Dilma Roussef, só estão trazendo na bagagem a promessa da criação de fórum para discutir o impasse criado com a retomada da Fazenda Buriti, uma das 38 propriedades incluídas no perímetro de 17 mil hectares reivindicados como terra indígena.
Foram três horas e meia de reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em que o tema principal foi o desfecho violento da reintegração de posse da Buriti, em que índio Oziel Gabriel, de 35 anos, foi morto na semana passada. "Vou propor a possibilidade de debatermos e chegarmos a um acordo sobre como pode ser solucionado esse conflito. A ideia é criar um fórum de negociação onde o governo federal vai estar presente", disse Cardozo a jornalistas.
Ele prometeu discutir o assunto com o Conselho Nacional de Justiça, Ministério Público e com o governo do Mato Grosso do Sul. O fórum deve ser instalado dentro de 15 dias. De acordo com Cardozo, os terena se comprometeram a não fazer novas ocupações, permanecendo nas terras em que já estão até o início da negociação.
"É uma decisão que eles vão tomar e o Judiciário vai decidir. Nós fizemos apelo veemente para que nenhum ato de violência fosse praticado e se buscasse restaurar a legalidade", afirmou o ministro. Cardozo e o ministro da Secretária-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, assinaram uma nota em que também assumem o compromisso de um "apuração rigorosa" e "imparcial" da morte de Oziel por meio de "inquérito policial, onde será feita perícia isenta".
Na avaliação do ministro, hoje a situação é de "arrefecimento do clima de tensão". "Posso estar enganado, mas já há um aceno para uma possibilidade de acordo. "Aqueles que acham que com radicalização se resolve o problema da questão indígena estão errando, estão inviabilizando uma solução para o problema. A ideia nossa é que todos nós sentemos em conjunto e discutamos as soluções possíveis e que sejam juridicamente admissíveis", afirmou Cardozo.
Na reunião com os terenas estavam, além do ministro da Justiça, o ministro-chefe da Secretária-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho; o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams; a subprocuradora-geral da República, Gilda Carvalho; além de cerca de 60 índios da etnia Terena e suas lideranças. O fórum deve ter início em até 15 dias e a expectativa é que as negociações durem até dois dias.
O índio terena Antônio Aparecido, cacique da Aldeia Córrego, que participou do encontro com o governo, aposta no sucesso do fórum. “Para nós é um ponto positivo , apesar de várias audiências. Mais uma vez vamos acreditar na Justiça para que possa ser agilizado o mais rápido possível”.
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Foto: Marcos Tomé/Região News