Tropas do Exército Brasileiro estão sendo enviadas desde ontem para a área de conflito de terras em Antônio João, por determinação do Ministério da Defesa. De acordo com informações do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), que está lá desde sábado mantendo a segurança local, as equipes já estão montando estrutura para oferecer apoio logístico as forças policiais que já estão atuando no local. De acordo com informações da Assessoria da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada de Dourados, hoje (31) haverá uma reunião em Brasília para definir a forma de operação dos soldados no local. A medida foi tomada como forma de reforçar a segurança tendo em vista o clima tenso gerado após a morte do indígena Semeão Fernandes Vilhalva, 24 anos, que foi encontrado morto no sábado (29) à tarde por lideranças indígenas. Os guaranis Kaiwas também reclamam que estariam passando fome, já que nenhuma entidade de proteção ao índio, segundo eles, teria ido até o local.
Estado
O governador Reinaldo Azambuja (PSDB), disse ontem que quer um pacto com o governo Federal para indenizar terra nua e benfeitorias e assim, por fim a disputa por terra em Mato Grosso do Sul. A tensão entre fazendeiros e indígenas acontece há anos, mas em Antônio João se intensificou há uma semana, após novas ocupações. Segundo o governador, o Exército vai para lá criar uma área de proteção, mas a solução definitiva depende da indenização. “A União e o governo do Estado titularam essas terras, e se elas pertencem aos indígenas, cabe ao estado tomar providências”, disse.
Ocupações
Ao todo, 9 fazendas em Antônio João estão ocupadas por indígenas. Oito delas teriam sido ocupadas somente na semana passada, mas em duas delas os proprietários legais da terra teriam conseguido reaver. Agora, a comunidade estaria concentrada em seis apenas: fazendas Piqueri, Cedro, Primavera, Brasil, Fronteira e Barra, localizadas em Antônio João, município de fronteira com Paraguai.
Disputa
Os índios começaram com o que chamam de retomada de seu Tekohá, em 2004, ocupando cerca de 500 hectares do total de quatro fazendas. A comunidade indígena guarani kaiowa reivindica 9.317 hectares, cuja demarcação chegou até a ser homologada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2005.
O processo é marcado por um vai e vem de liminar, despejo, mandado de segurança e tiros de armas de fogo. Isso, porque enquanto os índios reivindicam estas áreas alegando o que eles chamam de Ñande Rú Marangatu, os ruralistas adquiriram, legalmente, os títulos de propriedade das terras.
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