Os casos de leishmaniose em humanos, no município de Coxim, já são considerados epidemia. Até o final da manhã desta quarta-feira (24), a informação da Secretaria de Saúde do município disse quee existem 26 casos notificados e 19 confirmados.
Dois homens morreram por conta da leishmaniose em Coxim. Em setembro de 2010, a leishmaniose visceral matou o funcionário público municipal, João Gonçalves da Silva, de 55 anos. Já em março de 2011 morreu o aposentado Luiz Félix da Silva, de 88 anos.
O maior problema é que há 40 dias a prefeitura não realiza coletas de sangue para exames e eutanásia dos cães doentes, pois o contrato com o médico veterinário responsável por esses serviços venceu e ainda não foi renovado.
Conforme a gerente de Vigilância Sanitária, Adriana Haidar, não existe uma região específica, os humanos infectados pela doença estão em toda a cidade, inclusive no assentamento Vale do Taquari.
Para o portal Edição de Notícias, o secretário de Saúde, Gilberto Portela, desmentiu, por telefone, a informação e garantiu que Elton Villar de Jesus, o médico veterinário em questão, está trabalhando. Entretanto, Jesus afirmou que não trabalha para a prefeitura de Coxim desde o dia 15 de julho, ou seja, há 40 dias. A informação do médico veterinário é que o contrato entre sua clínica e a prefeitura está sendo elaborado, “mas até o momento não assinei nada”, garantiu Jesus.
De acordo com o médico veterinário, eram feitos cerca de 10 exames por dia em cães, sendo que a maioria dava positivo. O número de cães sacrificados por mês era de aproximadamente 200. Esses números são referentes ao trabalho desenvolvido pelo município, sem contabilizar os exames e eutanásias de clínicas particulares.
A coleira consegue proteger o seu cão contra flebótomos, moscas e carrapatos com alta eficácia e pode ser comprada em agropecuárias ou clínicas. Imediatamente após a colocação no pescoço do cão, começa a liberação do seu princípio ativo, a deltametrina, que se distribui de forma rápida e uniforme pela pele do cão até atingir todo o corpo.Segundo a promotora de Justiça, Daniella Costa da Silva, o Ministério Público Estadual instaurou inquérito civil para apurar a situação da doença em Coxim.
As informações repassadas ao MPE eram de que a doença estava controlada. Porém, diante das novas informações, a promotora promete tomar novas providências, pois se trata de uma questão de saúde pública.
Causa da doença
A leishmaniose é uma doença não contagiosa causada por parasitas (protozoário Leishmania) que invadem e se reproduzem dentro das células que fazem parte do sistema imunológico (macrófagos) da pessoa infectada. A doença pode se manifestar de duas formas: leishmaniose tegumentar ou cutânea e a leishmaniose visceral ou calazar.
A leishmaniose tegumentar ou cutânea é caracterizada por lesões na pele, podendo também afetar nariz, boca e garganta (esta forma é conhecida como “ferida brava”). A visceral ou calazar, é uma doença sistêmica, pois afeta vários órgãos, sendo que os mais acometidos são o fígado, baço e medula óssea. Sua evolução é longa podendo, em alguns casos, até ultrapassar o período de um ano.
Transmissão
Sua transmissão se dá através de pequenos mosquitos que se alimentam de sangue, e, que , dependendo da localidade, recebem nomes diferentes, tais como: mosquito palha, tatuquira, asa branca, cangalinha, asa dura, palhinha ou birigui. Por serem muito pequenos, estes mosquitos são capazes de atravessar mosquiteiros e telas. São mais comumente encontrados em locais úmidos, escuros e com muitas plantas.
Além do cuidado com o mosquito, através do uso de repelentes em áreas muito próximas a mata, dentro da mata, etc, é importante também saber que este parasita pode estar presente também em alguns animais silvestres e, inclusive, em cachorros de estimação.
Sintomas
Os sintomas variam de acordo com o tipo da leishmaniose. No caso da tegumentar, surge uma pequena elevação avermelhada na pele que vai aumentando até se tornar uma ferida que pode estar recoberta por crosta ou secreção purulenta. Há também a possibilidade de sua manifestação se dar através de lesões inflamatórias no nariz ou na boca. Na visceral, ocorre febre irregular, anemia, indisposição, palidez da pele e mucosas, perda de peso, inchaço abdominal devido ao aumento do fígado e do baço.
Prevenção e tratamento
A melhor forma de se prevenir contra esta doença é evitar residir ou permanecer em áreas muito próximas à mata, evitar banhos em rio próximo a mata, sempre utilizar repelentes quando estiver em matas. Esta doença deve ser tratada através de medicamentos e receber acompanhamento médico, pois, se não for adequadamente tratada, pode levar a óbito.
Ceyd Moreles
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