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Saúde

No Dia de Combate ao Fumo, ex-fumantes falam sobre a dificuldade de deixar o vício

29 agosto 2011 - 07h46 Por Markito

Hoje, 29 de agosto, é comemorado no Brasil o Dia Nacional de Combate ao Fumo, e cada vez mais as pessoas se conscientizam dos males causados pelo cigarro à saúde.

Segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Estima-se que um terço da população mundial adulta (1,2 bilhões de pessoas) seja fumante. Só no Brasil o número de óbitos chega a 80 mil por ano.  

“Nem me considerava uma fumante ativa”, disse a fotógrafa Leila Rodrigues, de 40 anos, que decidiu parar de fumar quando percebeu que precisava dar exemplo às suas duas filhas. “Eu tentava ensinar ás minhas filhas que beber e fumar não era legal, mas fumava. Um dia uma delas virou e falou ‘se você fuma, eu poderei fumar também’. Foi aí que eu percebi o exemplo que estava dando e decidi parar”, conta.

Leila não achou difícil largar o fumo, mas reconhece que nem todos têm a mesma facilidade.  “Eu fumava pouco, e não fumei por muito tempo, mas sei que quem fuma há muitos anos não pára com tanta facilidade. Eu decidi largar o cigarro e nunca mais fumei, mas minha mãe, por exemplo, não consegue ficar um dia sem cigarros, tem uma dependência fortíssima”, completa.

A Psicóloga Tânia Aparecida, voluntária do programa “Amor Exigente” (para dependentes químicos e suas famílias), compara o fumo ao vício em qualquer outra droga. “O fumante também é doente, assim como todos os dependentes químicos, e o reconhecimento desse vício como doença é o primeiro passo para deixar o cigarro”, explica.

Conforme ela, é necessário a realização de um tratamento intensivo. “Muitos fumantes tentam e não conseguem deixar o cigarro. Temos que realizar um tratamento em conjunto com médicos e nutricionistas, porque só o tratamento psicológico não é suficiente”.

O administrador de empresas Thiago Cânepa, de 31 anos, sente na pele a dificuldade de deixar o cigarro. “Fumo há dez anos, estou há uma semana sem fumar. Precisei parar porque farei uma cirurgia e tenho que ficar uns 60 dias longe do cigarro, mas quero aproveitar e parar de vez”, conta.

Ele confessa que tirar o cigarro de sua rotina diária é a parte mais difícil. “No começo, é complicado. O maior problema é o hábito que eu tinha de fumar, na hora de dirigir, após o almoço, sinto falta de algo que complementava vários momentos do meu dia”.

Thiago revela que os benefícios de ficar sem fumar, no entanto, são visíveis a curto prazo. “Em uma semana, já notei que tenho mais fôlego e mais disposição durante o dia, meu sono melhorou também, e parece que meu paladar está mais aguçado. Estou me sentindo bem, e decidido a parar”, comemora.

Programa de apoio

Em Campo Grande, mais uma ação de combate ao fumo será lançada nesta segunda-feira (29). O Programa Antitabagismo da Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems) tem como objetivo principal estimular o abandono do cigarro entre seus beneficiários.

Coordenado pela pneumologista Dra. Ana Maria Marques, o programa oferecerá tratamento de suporte no abandono ao cigarro com terapia medicamentosa e psicoterapia. A Cassems oferecerá também um psiquiatra e um psicólogo, que atenderá semanalmente os participantes.

O lançamento acontece nesta segunda às 19 horas, na sede da instituição, que fica na Rua Antônio Maria Coelho, nº 6065, no bairro Vivendas do Bosque.

Camila Bertagnolli

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