Depois de 20 dias fechado, o setor de pediatria da Santa Casa de Campo Grande deve voltar a funcionar na próxima segunda-feira (26). Os planos de saúde chegaram a um consenso e agora aguardam a avaliação do presidente da junta interventora do hospital, Issam Moussa.
A decisão pode sair ainda nesta sexta-feira (23). Os diretores dos planos de saúde e do setor de pediatria da Santa Casa, José Jailson, se reuniram na tarde desta quinta-feira (22) para analisar a proposta apresentada pelo hospital sobre o pagamento dos plantões dos médicos e enviaram o documento para a junta interventora.
“Depois de várias reuniões e análise de propostas, os planos de saúde aceitaram pagar os plantões médicos dos pediatras para restabeler o atendimento”, explica o presidente da Cassems, Ricardo Ayache. Além disso, posteriormente, os diretores devem apresentar algumas sugestões de alterações no atendimento do setor relacionadas ao corpo clínico e à estrutura.
Audiência
Na última quarta-feira (21), a Comissão Especial de Acompanhamento de Problemas da Santa Casa da Câmara Municipal realizou uma audiência pública. Na ocasião, o presidente da Comissão, Loester Nunes, lembrou dos problemas mais recentes do hospital como a falta de atendimento no setor psiquiatria e pediatria.
O setor de psiquiatria foi fechado em outubro do ano passado, segundo a junta interventora, devido a falta de estrutura do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Já em fevereiro deste ano, a pediatria do Prontomed foi fechada para redução de gastos, já que 50% do dinheiro para os salários do setor era destinado aos pediatras.
Desde 2005, o hospital está sendo administrado por uma junta interventora. Na audiência pública, a Comissão cobrou a apresentação da movimentação financeira da Santa Casa, de 2004 a 2011, a relação de devedores e as dívidas do hospital desde 2004 e a folha de pagamento da unidade.
A Comissão acompanha o trabalho da atual administração do hospital há 10 meses e prepara um relatório para apontar os principais problemas e possíveis soluções. A Comissão da Câmara Municipal deve concluir o relatório sobre a situação do hospital em até 90 dias.
Para o presidente da Associação Beneficente Campo Grande, mantedora da Santa Casa, Wilson Teslenco, um dos principais problemas do hospital é o endividamento. “Em novembro do ano passado, a junta interventora fez um empréstimo de 23 milhões. Isso contraria a determinação do Estado quando a intervenção foi acionada, pois uma das regras era que os interventores administrassem o hospital com os recursos disponíveis, sem fazer mais empréstimos”, ressaltou Teslenco.
O prazo de intervenção na Santa Casa termina em maio do ano que vem. Em pronunciamento durante a audiência pública, o presidente da junta, Issam Moussa, disse que, em sete anos, a administração conseguiu melhorar a estrutura do hospital, ampliando o número de salas cirúrgicas de 12 para 18, e abrindo 33 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI).
Adriana Oliveira
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