Médicos de Mato Grosso do Sul saíram às ruas nessa terça-feira, para protestar contra o colapso na Saúde Pública em todo o País e as últimas intervenções do Governo Federal, que estariam, segundo a categoria, apenas “maquiando” o problema. O movimento é contra o aumento em mais dois anos do curso de medicina, alguns pontos do Ato Médico, além da intenção de contratação de profissionais estrangeiros sem exame Revalida. Em Dourados, os médicos se concentraram ontem na Praça Antônio João.
“O Governo Federal decidiu obrigar o estudante brasileiro de medicina a estudar mais dois anos para só então conseguir o diploma, enquanto os estrangeiros estão vindo para o Brasil sem mesmo a comprovação de possuir diploma. É um contrassenso”, destaca o médico Jorge Luiz Baldasso, do Sindicato dos Médicos da Grande Dourados.
Segundo ele, falta estrutura nos hospitais públicos de todo o país. “Podem contratar 1 milhão de médicos estrangeiros que o problema da saúde não vai acabar. Isto porque não faltam médicos no Brasil, faltam incentivos aos profissionais e investimentos na Saúde que está subfinanciada”, destaca.
Baldasso diz que os equipamentos estão defasados, os hospitais não atendem a demanda e não existe um Plano de Cargos, Carreira e Remuneração (PCCR). “Hoje o salário de R$ 1,8 mil é indigno para um profissional com tantas responsabilidades nas mãos. Está compensando atuar no particular”.
Capital
Em Campo Grande, os manifestantes concentram suas ações na região central da cidade. Aderindo ao movimento nacional da classe, cerca de 250 médicos de Campo Grande realizaram ontem uma manifestação pacífica, contra o programa federal Mais Médicos, pela liberação do Revalida – teste que valida os diplomas de profissionais estrangeiros e cobraram melhorias no Sistema Único de Saúde (SUS).
Eles também protestaram contra o prefeito Alcildes Bernal (PP), que anunciou a adesão de Campo Grande ao programa Mais Médicos, afirmando que a Capital conta hoje com o dobro de profissionais por habitantes em relação ao Estado e que o município não tem demonstrado interesse em valorizar a classe.
O presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM/MS), Luís Henrique Mascarenhas, afirmou, pouco antes da manifestação, que o movimento é contra o governo federal, que não quis ouvir a classe para adotar medidas e programas como o Mais Médicos.
“Não somos contra a contratação de médicos estrangeiros, mas contra a forma como isso está sendo levado pelo governo, sem discutir as medidas com as entidades, sem consulta aos profissionais e impondo aos médicos responsabilidades para solucionar os problemas na saúde”, afirmou Luís Henrique.
Outra posição do CRM, de acordo com Luís Henrique, é a forma como o governo vem tratando a questão da revalidação dos diplomas dos médicos estrangeiros que, conforme o Ministério da Saúde, não precisarão realizar os testes para revalidar seus diplomas pelo Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos, o Revalida no País.
“Sabemos que a formação no exterior é bem abaixo do nível universitário brasileiro e por isso, não concordamos em abolir o Revalida”, afirmou, cobrando também do governo melhores condições e mais recursos para a saúde pública no País.
Os médicos também se posicionaram contra a administração do prefeito Alcides Bernal, que na semana passada publicou anúncio para contratação de mais 170 médicos para a rede pública de saúde no município.
“Campo Grande tem a maior quantidade de médicos por morador, na proporção de 3,4 médicos por mil habitantes, enquanto que no Estado, essa proporção é de 1,7 médico, o que demonstra que a Capital está muito bem servida de profissionais, o que falta é melhores condições de trabalho e uma remuneração justa”, destacou.
Segundo o Sindicato dos Médicos de Campo Grande, a Capital conta atualmente com 2.200 médicos nas redes particular e pública e que atendem a demanda. “O que não queremos mais é atender pacientes em macas, nos corredores e em colchões no chão”, afirmaram os manifestantes, durante protesto em frente à Prefeitura, na Avenida Afonso Pena.
Os médicos, acadêmicos de Medicina e profissionais da área de saúde participaram do protesto fazendo apitaço, com nariz de palhaço e carregando um caixão de defunto com as fotos da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O manifesto, que se concentrou na Praça Ary Coelho, saiu pela Rua 14 de Julho até a Rua Barão do Rio Branco, onde se dirigiu até a sede da Prefeitura e depois de alguns pronunciamentos em frente ao Paço Municipal, desceu a Avenida Afonso Pena até a praça, o ponto de partida.
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Foto: Hédio Fazan - Dourados Agora