A cidade de Dourados já registra em 10 meses, 67 estupros contra crianças e adolescentes. O número já é 8% maior do que o total registrado no ano passado. O crime já lidera o ranking de atendimentos no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). Em segundo lugar está a violência contra idosos.
De acordo com a coordenadora do Creas em Dourados, Amarilda de Jesus Alves Amorim, as vítimas têm entre 03 e 16 anos. Em todos os casos, os agressores são pessoas próximas às vítimas. “São pais, irmãos, primos, parentes ou vizinho que atraíram as crianças e as mantiveram ameaçadas”, diz.
Amarilda explica que no caso da criança de 03 anos a agressão foi notada pela mãe depois que a criança passou a se isolar e a ter muito medo do agressor, que era um irmão. A coordenadora faz um alerta para que as mães prestem atenção no corpo e comportamento dos filhos. “Sinais ou marcas principalmente nos órgãos genitais são fortes indícios. Outro sinal de que a criança pode estar sendo abusada é o comportamento retraído ou assustado por parte da criança diante de um toque da mãe ou pessoa próxima. Muitas mães precisam trabalhar e deixam os filhos com pessoas próximas, o que acaba viabilizando estes casos. Outro forte indício é quando a criança se isola, sente muito medo, e passa a ter muitos pesadelos. Na escola o rendimento do aluno cai e ele passa a se isolar por culpa e medo. Nesta caso o Educador pode acionar o Conselho Tutelar que vai investigar os casos”, destaca.
Segundo Amarilda uma criança abusada sexualmente carrega um trauma que pode durar por toda a vida. “Esta é uma das mais fortes agressões contra uma pessoa, principalmente porque na maioria dos casos o agressor é a figura que deveria proteger”, revela.
Segundo ela todos os casos encaminhados pela delegacia são atendidos no Creas. O serviço psicossocial e de psicoterapia oferecem em Dourados todo o atendimento às vítimas e familiares de crianças e adolescentes que sofreram violência. São psicólogos, assistentes sociais, advogados entre outros profissionais que estão disponibilizados também nos centros de referência de assistência social (Cras) o tempo que for necessário para proteger a vítima de novas agressões além de fortalecer vínculos familiares. “Quando o agressor não sai da casa a criança deve sair. Vai para a casa de um familiar ou para um abrigo”, destaca.
No próximo dia 20, data em que se comemora o Dia Mundial da Criança, o Creas e todos os Cras de Dourados vão realizar ato público contra a violência sexual. Na oportunidade serão distribuídos panfletos com orientações. A mobilização ocorrerá na sede de casa Cras das 8h às 11h.
Em Dourados, os contatos por telefone com o Creas para denúncia são: 0800 467 0444. Os telefones do Conselho Tutelar são: (67) 8468 6145 e 0800 647 7142. O telefone do Ministério Público Estadual para denúncia é: 8478 2072. Outra opção é do disque 100, um serviço nacional que mobiliza todas as entidades do município para averiguarem as denúncias.
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