A concessão do crédito rural, no período de julho de 2010 a junho de 2011, pode chegar a mais de 95% do valor de R$ 100 bilhões previstos. A confirmação deve ocorrer se for mantida a taxa de crescimento do ano passado para os meses de abril, maio e junho, no valor de R$ 26,7 bilhões.O diretor do Departamento de Economia Agrícola da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Araújo, explica que, se a previsão for confirmada, será o maior percentual da série histórica da agricultura empresarial. Desde a safra 1999/2000, quando atingiu R$ 11,8 bilhões, o valor aumenta consideravelmente. No ano passado, o percentual chegou a 91% do programado, com R$ 84,4 bilhões.
De julho de 2010 a março deste ano, os recursos para custeio e comercialização ultrapassaram os R$ 51 bilhões, o que representa 68,2% do valor previsto para a safra atual (R$ 75,5 bilhões). Os desembolsos dos programas de investimento chegaram a R$ 10,2 bilhões, o equivalente a um aumento de 39,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Lançado em 2009 para combater os efeitos da crise financeira mundial, o PSI-BK (Programa de Sustentação de Investimento) utilizou 107% dos valores previstos (R$ 4 bilhões), chegando a R$ 4,3 bilhões, de julho de 2010 a março deste ano. O montante corresponde a um aumento de 41,8% do valor financiado no mesmo período do ano passado. A contratação dentro desse programa ocorreria até o mês de março, mas foi prorrogada até dezembro de 2011 a fim de manter o ritmo do crescimento econômico. O programa tem como finalidade financiar bens de capitais, inclusive máquinas e equipamentos agrícolas e estruturas de armazenagem.
O médio produtor rural também teve acréscimo nos desembolsos. Até março de 2011, foram liberados R$ 3,7 bilhões de recursos por meio do Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural). No mesmo período do ano anterior, os recursos liberados haviam chegado a R$ 2,4 bilhões. “É um aumento de 52%, com perspectivas de aumentar ainda mais”, estima Wilson Araújo.
O crédito rural destinado às cooperativas também registrou um bom desempenho. É o caso do Procap-Agro (Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias), do qual foram utilizados 111% do programado, sendo aplicados R$ 2,2 bilhões dos R$ 2 bilhões previstos. “Essa é uma clara posição do governo de apoio ao sistema de cooperativas”, explica o diretor.
Saiba mais
PSI-BK (Programa de Sustentação do Investimento): foi criado em 2009, durante a crise financeira internacional, para tornar viável a compra de máquinas. Cobra juros de 5,5%, menores que a média do crédito rural (6,75%). Os interessados podem acessar a linha de crédito até dezembro de 2011.
Procap-Agro (Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias): linha de crédito direcionada às cooperativas de produção agropecuária, pesqueiras e aquícolas, para capital de giro, saneamento financeiro ou reestruturação patrimonial. São R$ 2 bilhões a juros de 6,75% ao ano.
Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural): destinado ao custeio e investimento pelo médio produtor rural, a juros de 6,25% ao ano. A classe média do campo é aquela que tem renda bruta anual de até R$ 500 mil. O programa, com dotação de R$ 5,65 bilhões, tem limites de financiamento de R$ 200 mil para investimento e de R$ 275 mil para custeio, por produtor.
Karla Lyara/AE
Deixe seu Comentário
Leia Também

Secretaria da Cidadania realiza Fórum das Juventudes para construir plano com participação jovem

Regulação econômica transforma dados

MS garante mais de 1,2 mil novas vagas no sistema prisional com construção de unidades na Gameleira

