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Ex-vereador teria pago propina para não ser denunciado

29 abril 2011 - 20h13


Gravações autorizadas pela justiça dão conta de que um dos ex-servidores da Câmara de Vereadores, e que está sob proteção policial, foi procurado por uma pessoa ligada ao ex-vereador Humberto Teixeira Júnior, que lhe pagou uma “propina” no valor de R$ 5 mil (valor este depositado em juízo) para que não denunciasse os fatos ao Ministério Público Estadual e, ainda, firmasse declaração em cartório de que os dois empréstimos feitos em seu nome foram utilizados pelo próprio ex-servidor.



Conforme publicou o Douradosagora, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO), com o apoio da Polícia Militar, deflagrou hoje a operação denominada “Câmara Secreta”, visando ao cumprimento de 04 prisões preventivas na cidade de Dourados e 10 (dez) mandados de busca e apreensão, sendo 07 (sete) na cidade de Dourados, 02 (dois) na cidade de Campo Grande e 01 (um) em Vicentina, comarca de Fátima do Sul, todos expedidos pelo Juízo da 1.ª Vara Criminal da Comarca de Dourados, pela prática de crimes de falsificação de documento público e uso de documento público falsificado, peculato e formação de quadrilha.



As investigações iniciaram-se no final do ano de 2010 na 16.ª Promotoria de Justiça de Dourados, com base em depoimentos de 05 (cinco) ex-servidores comissionados da Câmara Municipal de Dourados que denunciaram um “esquema” de fraudes na contratação de empréstimos consignados.



Segundo as declarações, os servidores foram nomeados pelo então Presidente da Câmara Sidlei Alves a pedido do ex-vereador Humberto Teixeira Júnior, com a finalidade exclusiva de contratação de empréstimos consignados, cujos valores foram repassados para o ex-vereador. Ocorre que, os holerites dos servidores eram falsificados pelo então Diretor financeiro da Câmara, a mando dos dois vereadores, constando valores até 5 vezes maiores do que os efetivamente pagos, com o objetivo de aumentar a margem consignável e, com isso, conseguir maiores empréstimos.



Dos denunciantes, dois deles eram servidores-fantasmas, pois jamais trabalharam na Câmara Municipal de Dourados. Uma delas trabalhava efetivamente na assessoria de Teixeira Júnior e outros recebiam “gorjetas” mensais diretamente do ex-vereador e lhes prestavam serviços de caráter pessoal.



Toda a intermediação dos empréstimos entre a Câmara e as instituições bancárias era conduzida por Rodrigo Terra, vulgo “Tapado”, assessor de Teixeira Júnior, que participava instruindo a falsificação de documentos públicos e conduzia os servidores até os bancos. Assim que os empréstimos eram liberados, os servidores entregavam todo o valor para “Tapado” que os recebia em nome de Teixeira Júnior.



Alguns empréstimos eram pagos pelos próprios vereadores Teixeira Júnior e Sidlei Alves. Em outros, apurou-se, as parcelas eram descontadas do servidor-fantasma e pagas ao banco.



Segundo as declarações dos ex-servidores, inclusive valores referentes a rescisões de contrato teriam sido apropriados indevidamente pelo ex-vereador, por intermédio de seu assessor.


 


Karla Lyara/Informações Dourados Agora

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