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Inflação sobe em abril e bate meta do ano pela 1ª vez

08 maio 2011 - 11h09


Apesar da alta dos juros e das medidas de contenção ao crédito, o Banco Central não conseguiu ainda retomar as rédeas da escalada de preços. Em abril, pela primeira vez desde 2003, o índice oficial de inflação ultrapassou o teto da meta admitido pelo governo, quando considerada a variação em 12 meses. 

O indicador ficou em 6,51%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A meta oficial, que o BC se compromete a perseguir, é de 4,5% para 2011, podendo chegar, no máximo, a 6,5%. 

O estouro da meta indica que o BC encontra dificuldade em trazer novamente a inflação para níveis mais baixos. Alguns analistas dizem que ele demorou a agir ainda no ano passado e subestimou a força do consumo e da renda maior da população. 

O cenário foi agravado, primeiro, com um choque de preços de alimentos no começo do ano. Agora, eles já mostram arrefecimento e podem cair nos próximos meses, segundo analistas. 

RITMO MENOR

 

Em abril, o ritmo da alta do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que é o indicador oficial, foi menor: 0,77%, pouco inferior ao de março (0,79%). Mas o mês carregou parte da alta de preços do álcool e da gasolina, iniciada em março, devido à entressafra da cana-de-açúcar e ao consumo aquecido. 

Sozinhos, os combustíveis representaram 39% da variação do indicador em abril. Laura Haralyi, do Itaú-Unibanco, acha que os preços dos combustíveis ficarão estáveis em maio, e poderão até cair em junho. Assim, diz, é possível que as próximas medições mensais apontem para um recuo da inflação. 

Já Fábio Romão, da LCA, diz que o desafio do BC é controlar a inflação e evitar que ela se "realimente". Quando as expectativas de inflação estão em alta, empresários antecipam reajustes, o que pressiona mais o índice. 

Além disso, outro foco de pressão em 2011 foram os preços indexados por contratos, como energia, aluguéis, ônibus e outros. Todos subiram mais na esteira de índices elevados de preços em 2010, que corrigiram fórmulas de reajuste. 

Alguns analistas acham que a inflação se manterá acima do limite no acumulado de 12 meses, até agosto, ao menos, e pode passar de 7%. 

Mas, para a maioria dos economistas ouvidos em pesquisa semanal do BC, o indicador ficará em 6,37% no fim do ano. Ou seja, dentro do teto da meta oficial. 

Apesar de ainda ter mostrado alta, a variação do IPCA no mês ficou abaixo do esperado por economistas, que apostavam em variação de 0,81% a 0,85%. A notícia se refletiu no humor dos investidores: a Bovespa fechou em alta de 1,59%, interrompendo uma sequência de quatro dias de perdas. 

MENSAGEM COMBINADA 

Como os investidores ainda têm dúvidas sobre a eficácia das medidas do BC, evitam se expor a aplicações de risco, como ações. Como resultado, o índice de ações da Bolsa cai 7% no ano. 

Enquanto o IPCA era divulgado no Rio, a presidente Dilma Rousseff costurou com sua equipe um discurso para convencer mercado e empresários de que o dado de abril era um "olhar no retrovisor" e que a pior fase já passou. 

Após reunião no Alvorada, assessores e ministros passaram a transmitir a análise feita mais cedo. Definiram que era importante destacar, nas conversas com imprensa e mercado, que a inflação de maio será menor do que a de abril, abaixo de 0,50%. 

E reforçar que o IPCA acumulado em 12 meses até setembro seguirá em alta, reflexo da inflação passada, mas cairá a partir de outubro. 

O ministro Guido Mantega (Fazenda) convocou a imprensa e lembrou que, oficialmente, a meta é fixada para o período de janeiro a dezembro. 


Fonte: Folha Online

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